The Post - A guerra secreta

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Sinopse

Em 1971, depois de uma visita ao Vietnã, o especialista Daniel Ellsberg decide divulgar o que ficou conhecido como os "Papeis do Pentágono" - documentos ultrassecretos que provam que o governo dos EUA vem mentindo há anos sobre a guerra. Parte dos papeis é publicada pelo jornal "The New York Times", mas o governo entra na justiça. O jornal "The Washington Post" tenta obter os papeis e continuar publicando-os, tornando-se o centro de uma batalha pela liberdade de expressão.


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Crítica Cineweb

11/01/2018

Meryl Streep e Tom Hanks nunca haviam dividido a tela antes do drama jornalístico The Post: A Guerra Secreta, em que Steven Spielberg volta mais uma vez à cadeira de diretor, que não frequentava desde 2016 (O Bom Gigante Amigo).
 
Foi o roteiro, escrito pela roteirista iniciante Liz Hannah e pelo roteirista e produtor Josh Singer, aliás, que motivou Spielberg a largar todos os projetos em que estava envolvido há um ano atrás para lançar-se nesta saborosa memória dos acontecimentos que transformaram o jornal The Washington Post num competidor à altura de seu concorrente, The New York Times, em 1971 – ano que marcou uma das maiores batalhas pela liberdade de expressão vividas nos EUA. Não teve motivos para se arrepender, já que o filme conquistou duas indicações ao Oscar: melhor filme e melhor atriz para Meryl Streep.
 
Não é segredo – como Spielberg tem deixado claro em suas entrevistas recentes – que seu interesse na história de 47 anos atrás decorre de semelhanças com os dias atuais, quando um outro presidente Republicano, Donald Trump, vive às turras com a imprensa, do mesmo modo que seu colega Richard Nixon naqueles dias.
 
Mas há muito mais em The Post: A Guerra Secreta do que esta aproximação. O filme é uma crônica substancial dos dilemas dos anos 1970, quando os EUA viviam a interminável Guerra do Vietnâ, que consumia orçamentos, armas e muitas, muitas vidas. O foco da história se desenha quando um analista militar, Daniel Ellsberg (Matthew Rhys), depois de uma visita ao Vietnã, decide vazar para a imprensa o que ficou conhecido como os Papeis do Pentágono – cerca de 7.000 páginas de documentos ultrassecretos que, em última análise, mostravam que diversos presidentes norte-americanos, incluindo John Kennedy, Lyndon Johnson e o próprio Richard Nixon, vinham mentindo há anos ao seu povo sobre aquela guerra.
 
Em 1971, o The Washington Post vivia dias cruciais. Oito anos depois do suicídio de seu marido, Phil Graham, a dona do jornal, Katharine Graham (Meryl Streep), tomava a decisão de abrir o capital do jornal, lançando ações na Bolsa. Era uma forma de capitalizar a empresa que, apesar de importante, era uma publicação regional, ao contrário do The New York Times, cuja influência atingia os quatro cantos do país.
 
Por isso, não foi surpresa que parte dos Papeis do Pentágono chegassem primeiro ao NY Times, que publicou o furo – indignando o editor-chefe do Post, Ben Bradlee (Tom Hanks), que, como todo jornalista que se prezasse, queria ter posto as mãos naquilo antes. Mas o assunto estava longe de encerrado, não só porque o Times publicara apenas parte dos documentos secretos, como porque o governo Nixon entrara na justiça para bloquear outras divulgações, alegando riscos à segurança do Estado.
 
Com uma rigorosa reconstituição de época que reproduz saborosamente a era analógica – com direito a máquinas de escrever e telefones públicos de moedas -, o filme retrata de maneira eletrizante a busca do Post para ter acesso aos documentos – o que se torna possível através de um de seus repórteres, Ben Bagdikian (Bob Odenkirk), que conhecia Ellsberg. Para quem é jornalista ou se interessa pelo tema, os bastidores da luta por esta publicação são tornados coisa viva, cheia de energia, sangue, suor.
 
Evidentemente, ter à frente do elenco dois medalhões como Meryl Streep e Tom Hanks atenua a aridez de certas situações. Os dois intérpretes humanizam seus personagens que, apesar de suas diferenças, jogavam cartadas decisivas para a própria sobrevivência do Post. O perigo para o jornal não era retórico, já que a sua abertura de capital poderia ser bloqueada pelas forças do mercado na própria guerra para publicar papeis que expunham o governo. Por isso, a decisão de Katharine Graham neste caso não teve nada de simples.
 
Meryl Streep injeta em sua personagem uma mistura sutil de insegurança, delicadeza e coragem, encarnando uma mulher num momento de virada, de transformação, da herdeira nascida rica e não preparada para assumir a chefia de seu jornal (posto que pertencia a seu marido morto) para a líder que tem que afiar seus instintos para impor-se, desafiando a mistura de condescendência e desconfiança de seus diretores, advogados e de seu próprio editor.
 
Mas está, justamente, nos embates entre Kay e Bradlee, um homem um tanto rude, mas nada bobo nem injusto, o grande interesse de uma sequência de acontecimentos que requer o engajamento total de ambos. Esta dinâmica é um prazer de se acompanhar, em mais de um sentido. Não só pela qualidade destes afinados atores, como pelos fatos que descreve. Difícil imaginar uma situação como essa ocorrendo num jornal brasileiro e tendo o mesmo desfecho, inclusive o comportamento do Judiciário.

Neusa Barbosa


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