Artista do desastre

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Locais de filmagem


Sinopse

Tommy Wiseau não tem um pingo de noção sobre cinema - nem outras coisas da vida - mas tem dinheiro suficiente para bancar um longa. Então, começa a dirigir "The Room", um filme que se tornará cult por ser um dos piores da história.


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Crítica Cineweb

09/01/2018

Em seu currículo como diretor, James Franco tem 18 longas e vários curtas, além de episódios de série e videoclipes. Até agora, seu gosto era por adaptação do cânone literário americano – suas principais vítimas, até então, foram Cormac McCarthy e John Steinbeck (uma vez cada um) e William Faulkner (duas adaptações. Mas em Artista do desastre, o diretor/produtor/ator mira em algo mais pop, um filme, de 2003, chamado The Room, que é tão ruim, mas tão ruim que se tornou cult, com sessões à meia-noite em diversas cidades dos EUA, acompanhado por um público que conhece as falas de cor e se veste a caráter.
 
Artista do desastre foi indicado a apenas um Oscar: melhor roteiro adaptado, assinado por Scott Neustadter e Michael H. Weber, a partir do livro de memórias de Greg Sestero, escrito em parceria com Tom Bissell.
 
Franco (ganhador de um Globo de Ouro por sua atuação), como não podia deixar de ser, interpreta o protagonista, Tommy Wiseau, diretor, na falta de palavra melhor, de The Room: um imigrante polonês com dinheiro aparentemente ilimitado e bom senso deficiente. A primeira vez que o vemos aqui é numa aula de atuação, na qual, ele grita “Stella!” do alto de uma escada, aparentemente interpretando uma cena de Um bonde chamado desejo. Sua atuação, embora desastrosa, chama a atenção de um colega de classe, Greg Sestero (Dave Franco), que se torna seu melhor (na verdade, único) amigo.
 
Aos 19 anos, Sestero é mais ingênuo e infatilóide do que tem direito, mas enfim, ele é assim e se afeiçoa por Wiseau sendo a única pessoa incapaz de perceber a furada que é quando viaja para Los Angeles com o sujeito. Nessa cidade, mais tarde, embora com uma carreira engatinhando, aceita participar de The Room que, aparentemente, sepultaria suas possibilidades de se tornar verdadeiramente famoso.
 
The Room é um filme que Wiseau escreve, dirige e protagoniza sobre um homem com problemas emocionais – ao menos, é o que parece. No set, o diretor se mostra inábil, indispondo-se com sua equipe – que inclui personagens interpretados por Zac Effron, Jacki Weaver e Seth Rogen (um dos produtores de Artista do desastre). Também é incapaz de decorar suas falas, que ele mesmo escreveu.
 
E o filme é basicamente isso, é uma comédia com momentos engraçados porque Wiseau é completamente sem noção das coisas. Artista do desastre começa rindo com ele e termina rindo dele – o que é um tanto problemático e o caminho mais fácil. Franco encontra em Wiseau a desculpa perfeita para justificar seu egocentrismo e os problemas de seu próprio filme – estaria apenas sendo fiel ao original. O longa de Franco não traz muita perspectiva além disso, faltando-lhe qualquer senso crítico ou uma investigação de que tipo de sociedade (na virada do século XX para o XXI) é o cenário em que uma figura como Wiseau consegue fazer um filme.
 
Artista do desastre não se importa muito em descobrir quem é Tommy – quando, por exemplo, ele se mostra extremamente misógino, rindo alucinadamente de uma fala sobre o espancamento de uma mulher, Franco não tira nenhuma conclusão disso, apenas quer fazer seu público acompanhar o absurdo da situação.
 
O que interessa a Franco, como diretor, é recriar detalhada e fielmente cenas de The Room – o que ele mostra com gosto nos créditos finais, comparando sua versão com a original, em tela dividida. Não há interesse na relação sutilmente doentia entre Wiseau e Greg, ou como Tommy conseguiu bancar seu filme – a equipe recebia seu salário regularmente. Interessa ao diretor exibir seu repertório como uma metralhadora giratória repleta de referências e só. E terminar o filme ao som de Rhythm of the night parece querer equiparar Artista do desastre a Beau Travail, de Claire Denis –  uma diretora de quem Franco está a anos-luz de distância.

Alysson Oliveira


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