Ella & John

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Ella e John estão casados há 50 anos e, sem avisar ninguém, saem em viagem pelos EUA num antigo trailer que guardavam na garagem. O destino é a antiga casa do escritor Ernest Hemingway, um dos ídolos de John.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/01/2018

Em seu primeiro filme em língua inglesa, o cineasta italiano Paolo Virzì deixa de lado o cinismo e ironia típicos de seus filmes – como Capital humano e Loucas de alegria – para concentrar-se numa história com um humor mais melancólico, protagonizada por Helen Mirren e Donald Sutherland, como os personagens-título.
 
Ella e John estão casados há 50 anos e decidem fazer uma última aventura no antigo trailer da família, que eles mantêm na garagem há anos, chamado “o caça-prazer”. O filho (Christian McKay) só descobre que isso aconteceu quando vai visitar os pas e não os encontra em casa. A irmã dele (Janel Moloney) também não sabe de nada; nem a vizinha (Dana Ivey), que os conhece há anos.
 
O casal está na estrada, e na trilha sonora toca Carole King cantando “It’s too late”. É um começo promissor que o filme nunca mais consegue alcançar no mesmo nível. Virzí – trabalhando a partir de um romance do americano Michael Zadoorian – parece não querer se arriscar e fica numa zona de conforto típica dos road movies, contrastando os protagonistas com as paisagens e os tipos peculiares que encontram pelo caminho.
 
Ella e John rumam a Key West, na Flória, onde visitarão a antiga casa do escritor Ernest Hemingway, hoje transformada num museu que também recebe eventos – como um casamento. A jornada é previsível com problemas e diversões pelo caminho – especialmente a cada parada.
 
John sofre de Alzheimer e, embora possa dirigir perfeitamente, suas lembranças, especialmente as mais recentes, estão esmaecendo. Para exercitar a memória do marido, toda noite Ella estende um lençol num varal, se estiverem estacionados em algum parque, e projeta antigas fotos de família para que, ao menos, ele não se esqueça dos acontecimentos mais antigos. Ella, por sua vez, está exausta de cuidar do marido e de vê-lo perder a lucidez a cada momento.
 
A grande graça do longa é a dupla de intérpretes que busca a fundo o que há de mais humano em Ella e John, embora nem sempre o filme se mostre à sua altura. Os personagens secundários têm menos sorte ainda – dentre eles, o filho do casal é o mais mal resolvido, porque o roteiro não lhe dá espaço para crescer.
 
Ella e John se passa na segunda metade de 2016, com a campanha que elegeu Trump a todo vapor. A crítica aos EUA de hoje é algo com que o longa flerta, mas nunca assume. Há uma parada num comício e John, já sem muito juízo, se deixa levar pelos manifestantes e sai de lá com toda a parafernália do “Make America Great Again” – para desespero de Ella, que logo joga tudo fora. O casal viveu os anos de 1960 – a época inclusive em que se casaram – e é fruto dessa geração que queria mudar o mundo. Timidamente Virzì tira partido disso para contrastar o passado e o presente – apenas quando Carole King canta que “é muito tarde”, ou Janis Joplin, “liberdade é apenas outra palavra para ‘nada a perder’”.

Alysson Oliveira


Trailer


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