A repartição do tempo

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 3 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

As coisas não vão nada bem na repartição pública responsável pelo registro de patentes: o trabalho se acumula. Mas a chegada de uma máquina do tempo dá uma ideia ao chefe de clonar os funcionários e obrigá-los a trabalhar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/01/2018

A repartição do tempo é um exemplar curioso no cinema brasileiro: uma comédia de ficção-científica que homenageia o cinema de aventura dos anos de 1980, mas sem funcionar direito em nenhum dos quesitos. Dirigido por Santiago Dellape e roteirizado por ele e Davi Mattos, o filmese  esforça, mas antes de chegar à metade já jogou a toalha e parou de fazer sentido ou ser engraçado.
 
O cenário principal da trama é a REPI: Registro de Patentes e Invenções, um poço de burocracia e lentidão, em Brasília, onde inventores deixam suas criações para serem patenteadas. O processo leva anos – alguns deles morrem antes mesmo de ver sua geringonça receber o registro –, e isso está denegrindo a imagem de Lisboa (Eucir de Souza), filho de uma senadora (Selma Egrei), que arrumou emprego para ele como diretor do local.
 
Na mesma época Dr. Brasil (Tonico Pereira) protocola uma máquina do tempo que vai parar no depósito do local, a espera de um registro. Curiosamente, além de voltar no tempo, a máquina cria um clone no processo. Não faz muito sentido, mas, enfim, o filme precisa disso para a trama poder avançar. Lisboa descobre essa peculiaridade e clona toda a sua equipe.
 
Os clones – interpretados por Edu Moraes, Bianca Muller e André Deca, entre outros – ficam preso no porão da repartição sem que suas matrizes saibam, e são obrigados a trabalhar sem descanso. Por conta disso, as cópias se rebelam, mas sem sucesso.
 
É difícil tentar explicar o que acontece em A repartição do tempo, porque é difícil entender o que acontece no filme. Em alguns momentos, é uma crítica sem força, pé ou cabeça à burocracia do funcionalismo público no Brasil. Os personagens não tem lá muito carisma e dividem seu tempo entre reclamar do trabalho que deveriam fazer e/ou fumar maconha. O fato de serem meros estereótipos ambulantes também não ajuda – estão lá o malandro (Deca), a ingênua bonita (Bianca) e o herói improvável nerd e fã de quadrinhos (Moraes).
 
É fácil entender o que seduziu Dellape e Mattos, especialmente a possibilidade de brincar com temas icônicos e fazer uma ficção-científica no Brasil. A viagem no tempo e sua manipulação são mal exploradas no filme – a máquina volta para o passado ou faz clones? Tanto faz. Não há um ganho de percepção do presente – é o mínimo que se espera de uma ficção-científica – a partir da extrapolação da realidade. Tudo soa meio artificial e forçado – até a participação do eterno Trapalhão Dedé Santana, como um detetive de polícia.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança