Me chame pelo seu nome

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Locais de filmagem


Sinopse

Anos 1980. Na bela casa, na Lombardia, do professor Perlman e sua mulher, chega o habitual hóspede do verão, este ano, seu aluno Oliver, para permanecer seis semanas. A princípio incomodado com o hóspede, o filho único do casal, Elio, de 17 anos, começa sentir-se atraído por ele.


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Crítica Cineweb

04/01/2018

Um dos melhores diretores italianos da modernidade, Luca Guadagnino tem-se especializado em amores difíceis – como em seus belos filmes Um sonho de amor (2009) e Um mergulho no passado (2015), ambos estrelados por Tilda Swinton.
 
A fama precede a estreia de seu novo trabalho, o drama romântico Me chame pelo seu nome, que tem percorrido um grande circuito de festivais mundo afora e conquistado indicações a várias premiações, como Globo de Ouro, Bafta e Sindicatos dos Atores e dos Roteiristas dos EUA.
 
Fadado a tornar-se um dos rostos mais vistos no cinema daqui para a frente, o ator norte-americano Timothée Chalamet, de 22 anos, protagoniza uma história, roteirizada pelo veterano diretor James Ivory a partir do romance homônimo de André Aciman. Na trama, Timothée interpreta o adolescente Elio, 17 anos, que no início dos anos 1980 está vivendo seu despertar sexual, experimentando todas as incertezas dessa fase da vida.
 
Vivendo com os pais cultos e modernos, o professor universitário Perlman (Michael Stuhlbarg) e a mãe tradutora (Amira Casar), numa casa idílica, uma villa em Mocazzano, localidade bucólica na Lombardia, Elio prepara-se para mais um verão, sua luz inebriante, seus aromas intoxicantes, no ar toda a sugestão de beleza e inebriamento dos sentidos – um ambiente admiravelmente retratado pela fotografia do experiente diretor tailandês da especialidade, Sayombhu Mukdeeprom (Tio Bonmee que Pode Recordar suas Vidas Passadas, As Mil e Uma Noites).
 
A esta estação que solicita o benefício do olhar soma-se mais um alvo às atenções de Elio: o recém-chegado aluno de seu pai, o norte-americano Oliver (Armie Hammer), 24 anos, que deverá permanecer na casa por seis semanas auxiliando o professor. A primeira sensação do garoto é de invasão, até porque Oliver vai ocupar seu quarto. Elio fica com o quarto adjacente, o que lhe permite espionar o intruso.
 
O diretor explora habilmente este clima de mútua observação que vai se instalando entre os dois jovens, que jogam seus artifícios de sedução e rejeição, numa sequência de passos estudados, no caso de Oliver, e impulsivos, no caso de Elio. O contraste entre as duas experiências de vida e graus de consciência dos riscos que implica sua eventual relação compõem a moldura da história, que é também frequentada por personagens coadjuvantes que somam conflitos na trajetória do par principal.
 
Justo é dizer que essas coadjuvantes, todas mulheres, não têm na história o relevo dos personagens masculinos – inclusive o pai, Perlman, a quem cabe uma sequência, perto do final, que comprova a qualidade deste intérprete sutil, Michael Stuhlbarg, aqui ganhando magníficas falas de presente. As mulheres que interferem no relacionamento dos dois protagonistas, Marzia (Esther Garrel), Chiara (Victoria Du Bois) e mesmo a mãe de Elio têm seus momentos para sair da obscuridade, mas sempre pontuando a linha principal do romance deles.
 
O encanto da história, para aqueles a quem ela seduz, está na seriedade com que compõe a espinha dorsal deste amor que se esboça com insegurança, timidez e até com relutância, para então desabrochar entre angústia e medo, mas finalmente saindo dos limites que até ali o represaram. O filme estende-se até um momento de reavaliação do impacto que um simples verão pode ter na vida de alguém – e que falta faz este verão a quem eventualmente pode nunca tê-lo vivido algum dia.
 
Indicado a quatro Oscar: melhor filme, ator (Timothée Chalamet), roteiro adaptado e canção original (The Mystery of Love).

Neusa Barbosa


Trailer


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