A noiva do deserto

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Teresa é uma chilena que passou boa parte de sua vida trabalhando na casa de uma família argentina, em Buenos Aires. Agora, foi obrigada a trabalhar no interior do país. Durante a viagem, o ônibus quebra e um desconhecido muda sua vida.


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Crítica Cineweb

04/01/2018

A atriz chilena Paulina García mostrou ao mundo seu grande talento em Glória, de Sebastián Lélio, como uma divorciada de meia-idade que redescobre o prazer de amar e viver e se liberta de amarras sociais. Por aquele trabalho, ela saiu do Festival de Berlim de 2013 com o prêmio de melhor intérprete feminina. Em A noiva do deserto, a trajetória de sua personagem não é muito diferente – mas a atriz encontra um tom e um modo de atuar completamente distintos. Aqui, ela é Teresa Godoy, uma empregada/babá chilena na Argentina há mais de três décadas.
 
O filme, escrito e dirigido pela dupla de estreantes Cecilia Atán e Valeria Pivato, não tem pressa em contar a jornada de sua protagonista, cujos pais morreram num terremoto no Chile, mudando-se pouco tempo depois para Buenos Aires, onde vive desde então, cuidando da mesma família. Especialmente do filho deles, a quem trata como se fosse seu.
 
A crise econômica, no entanto, leva seus patrões a vender a casa após o casamento do rapaz. Teresa irá trabalhar em San Juan, o que a obriga a fazer uma longa viagem de ônibus, que quebra no meio do caminho, próximo a um lugar de peregrinação, onde os devotos levam flores e garrafas de água a uma santa conhecida como "A Defuntinha".
 
Enquanto espera a chegada do ônibus-substituto, a protagonista vagueia pelo local repleto de lojinhas e trailers vendendo lembrancinhas e até vestidos de noiva – muitas mulheres ali fazem promessas para se casar. Numa dessas vans, Teresa conhece um sujeito que atende pelo nome de El Gringo (Claudio Rissi). Ele é carismático e falastrão e tenta empurrar-lhe uma roupa. Por conta de alguns incidentes e desencontros, ela acaba obrigada a viajar com ele.
 
É aí que o filme de Atán e Pivato desenha a pequena jornada da odisseia existencialista de Teresa rumo à autodescoberta. Com menos de 80 minutos, o longa é econômico e sabe tirar proveito de seu comedimento. Não há excessos e a interpretação de García é forte de maneira contida, como uma mulher comum, cuja vida, até então sem muitas alegrias, encontra uma chance de felicidade.
 
De certa forma, o argentino A noiva do deserto lembra o brasileiro recente Pela janela. As protagonistas são mulheres de classe trabalhadora numa jornada pela estrada, após uma mudança significativa em suas vidas, cujos resultados serão inesperados. São dois belos filmes que, cada um ao seu modo, dão conta da posição da mulher – especialmente de meia-idade – na América Latina atual. A situação da crise financeira que os dois países enfrentam serve tanto como pano de fundo das tramas, quanto como catalisador das transformações das personagens.
 
A noiva do deserto é delicado – até sua duração sustenta isso – que se constrói de maneira sutil e eficiente no retrato de uma personagem que sempre viveu como que à margem de sua própria vida, tentando tomar o centro do seu próprio palco. A eficiência do longa se dá especialmente pela interpretação repleta de sutilezas e nuances de García, que, a cada trabalho, se reafirma como uma das maiores atrizes latino-americanas da atualidade.

Alysson Oliveira


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