Eu, Tonya

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Tonya Harding é uma patinadora promissora, mas sempre se associa com as pessoas erradas, que abusam dela física e verbalmente. Sua carreira nos rinques, no entanto, é prejudicada quando o marido orquestra um ataque contra a principal rival dela.


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Crítica Cineweb

21/12/2017

Tonya Harding é até hoje uma figura controversa na cultura esportiva dos Estados Unidos. Nos anos de 1980 e 1990, ela conheceu o sucesso e se tornou uma das patinadoras artísticas mais promissoras do país. Porém, quando em 1994, seu ex-marido Jeff Gillooly armou um ataque contra Nancy Kerrigarn, principal adversária de Tonya na disputa pelas vagas das Olimpíadas de Inverno daquele ano, a atleta caiu em desgraça.
 
É uma história controversa e até hoje não muito bem esclarecida – embora todos os envolvidos tenham sido julgados e condenados, inclusive Tonya –, com personagens que parecem saídos de uma comédia dos irmãos Coen. Talvez isso seja o que mais tenha atraído o diretor Craig Gillespie, o roteirista Steven Rogers e, principalmente, a atriz Margot Robbie, que conseguiu suas primeiras indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar.
 
Não há dúvidas de que Eu, Tonya é de Margot – embora Allison Janney roube algumas cenas, como a mãe abusiva mas bem intencionada da patinadora, LaVona Golden (a atriz ganhou o Oscar e o Globo de Ouro pelo papel coadjuvante). A relação entre as duas domina a primeira parte da trama. A mãe não mede esforços para transformar sua filha numa estrela da patinação. Sempre com um cigarro na mão, ela não é o tipo de pessoa que tem maneiras delicadas de incentivar a garota. Tabefes acontecem mesmo quando Tonya se sai bem.
 
E Tonya cresce assim, conhecendo apenas tapas, socos e pancadas. Não é surpresa que, na adolescência, estranhamente essa será a forma como expressará seu amor por Jeff (Sebastian Stan), que retribui na mesma moeda. Não eram apenas tapas: havia socos, murros, chutes e até balas de revólver. É praticamente um milagre que eles tenham saído vivos do casamento.
 
Nos rinques de patinação, Tonya é destemida, feroz, audaciosa. Seu estilo é vibrante e ousado – ela usa heavy metal em suas apresentações, enquanto todas as concorrentes optam por música clássica. Essa ousadia toda se revela o maior problema em suas pontuações. Ela não tem o perfil que se espera – não é uma moça comportada, suas roupas são feitas em casa.
 
O filme claramente toma partido de Tonya e lhe dá voz; ela conta os fatos sob seu ponto de vista. O longa é construído a partir de diversas entrevistas fictícias com os personagens principais, numa espécie de quebra-cabeças que culmina com o ataque a Nancy. De certa forma, a maioria dos depoimentos corroboram a versão da protagonista – de que ela não sabia do ataque e que sua única culpa foi não ter denunciado o marido e os cúmplices dele à polícia quando soube o que realmente aconteceu.
 
Não é difícil imaginar o que atraiu a australiana Margot para o papel – ela também assina como produtora. Conhecida por filmes como Esquadrão Suicida e O lobo de Wall Street, ela não teve, até agora, uma grande chance de mostrar seu talento para a atuação. Tonya Harding foi sua chance de ouro. A atriz faz várias das cenas de patinação – embora as mais complexas tenham requerido uma dublê e efeitos digitais -, mas é na humanização da protagonista que ela se destaca. Tonya é uma figura que cairia facilmente num retrato superficial, transformando-a apenas numa vítima – e não é isso que acontece aqui.
 
Ao longo dos anos, Tonya tem sido sistematicamente silenciada, e sua punição foi bem maior que aquela reservada a qualquer um dos homens envolvidos. Por isso, não deixa de ser curioso que um filme que claramente está dando chance a uma mulher de contar sua versão dos fatos se contente em transformá-la num saco de pancadas e de risos. Não que devesse fingir que a patinadora não tenha sido abusada física e psicologicamente por diversas pessoas (especialmente a mãe e o marido), mas o tom cômico que Gillespie adota toda vez que Margot leva um soco, é chutada de uma cadeira ou qualquer coisa parecida incomoda, porém não pelos motivos que deveria incomodar.

Alysson Oliveira


Trailer


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