Lou

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Nascida na comunidade germânica de São Petersburgo, em 1861, a jovem Louise von Salomé sempre procurou fugir ao destino então reservado às mulheres. Negando-se a uma vida como esposa e mãe, estudou filosofia, manteve parcerias com os filósofos Friedrich Nietszche e Paul Rée, viveu um romance com o poeta Rainer Maria Rilke e trocou experiências com o psicanalista Sigmund Freud.


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Crítica Cineweb

21/12/2017

A vida e obra de Lou Andreas-Salomé (1861-1937) fascinaram a documentarista alemã Cordula Kabliz-Post desde 2010, quando deu início a uma pesquisa sobre a personagem. Entretanto, a inexistência de materiais suficientes para um documentário sobre esta filósofa, psicanalista e feminista pioneira, perseguida pelos nazistas, levaram a cineasta a transformar o projeto num filme ficcional, que assume como título simplesmente o apelido que ela adotou em sua vida, Lou.
 
A riqueza de detalhes sobre a trajetória desta mulher fascinante, que manteve uma parceria pessoal e profissional com filósofos como Friedrich Nietzsche e Paul Rée, poetas como Rainer Maria Rilke – um de seus grandes amores – e o psicanalista Sigmund Freud, sustenta o filme, que começa em 1933. Lou (interpretada por Nicole Heesters) tem 72 anos e pouco sai de sua casa alemã. Os nazistas proibiram-na de exercer a psicanálise, que consideram uma “ciência judaica” e ela vive isolada, na companhia apenas de sua governanta, Mariechen (Katharina Schüttler).
 
Bate à porta um dia Ernst Pfeiffer (Matthias Lier), um escritor em bloqueio criativo, à procura dos serviços da psicanalista. Ela não pode atendê-lo mas ambos iniciam um convívio, que tem por objetivo colher as memórias dela. O recurso é a oportunidade de o filme revelar capítulos fundamentais da trajetória desta mulher marcante, através de flashbacks.
 
Lou nasceu Louise von Salomé, em 1861, na comunidade germânica de São Petersburgo, Rússia, numa família de posses, o que a orientava a uma vida como a de muitas outras mulheres de sua classe, rumo a um casamento rico e a uma existência como esposa e mãe. Mas a menina, caçula de quatro irmãos homens, e muito mimada pelo pai, Gustav (Peter Simonischek, de Toni Erdmann), tornou-se uma figura independente e amante dos estudos. O pai morreu quando ela era adolescente (Liv Lisa Fries), mas ela persistiu nesse caminho, para desespero de sua mãe, Louise (Petra Morzé), que nunca desistiu de tentar casá-la.
 
Os rumos que Lou escolheu seriam outros. Ela foi cursar a universidade em Zurique, uma das poucas instituições que, no século XIX, aceitava mulheres. Desenvolveu estudos em filosofia, mas teve que interrompê-los por problemas de saúde. Recuperada, faz uma viagem à Itália, onde conhece na casa de amigos o filósofo Paul Rée (Philipp Haub), que se tornará uma das pontas de um trio que será integrado também por Nietzsche (Alexander Scheer).
 
A ousada Lou, que fizera um voto de nunca se casar nem ter filhos, por entender que estavam aí as raízes da sujeição feminina, propõe que os três morem juntos, numa união intelectual, mas não física. Atraídos por ela, os dois homens querem aceitar a proposta, que não é de fácil realização, já que na época as leis de maioria dos países poderiam condená-los por imoralidade. Lou brevemente vai morar na casa de Nietzsche, com a família dele, mas o arranjo termina em conflito, especialmente com a irmã do filósofo, que se tornará inimiga dela pelo resto da vida, por julgá-la responsável pelos problemas psicológicos do irmão.
 
Finalmente, Lou terminará se casando nem com Rée nem com Nietzsche mas com o orientalista Friedrich Carl Andreas (Merab Ninidze), que lhe propõe um pacto, garantindo liberdade social a Lou e não lhe acarretando qualquer obrigação. Os dois moram em Berlim e Lou desloca-se em constantes viagens. Por muito tempo, resistiu à sexualidade, que finalmente ela compartilhou aos 30 anos com um antigo apaixonado seu, o poeta Rainer Maria Rilke (Julius Feldmeier), 8 anos mais jovem.
 
Para decepção de Rilke, ele não foi sua única paixão. Lou levava muito a sério sua liberdade e amou vários outros homens. Ao mesmo tempo, não abandonava seus estudos e conferências, aproximando-se de Sigmund Freud (Harald Schrott). Finalmente, ela também tornou-se psicanalista, escrevendo vários livros, sobre narcisismo, erotismo e outros temas.
 
A perseguição que sofreu no final da vida – quando ela mesma destruiu muitos de seus papéis – certamente contribuiu para que sua figura fosse relativamente obscurecida. Salvou-a do esquecimento, no entanto, seu fiel amigo dos últimos anos, Ernst Pfeiffer, que resgatou seus documentos confiscados pelos nazistas e zelou pela posterior divulgação de sua obra e de suas memórias.

Neusa Barbosa


Trailer


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