The square - A arte da discórdia

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Um respeitado curador de um museu de Estocolmo tem seu celular roubado. No esforço de recuperá-lo, acaba afetando a vida de um garoto e entrando numa espiral de acontecimentos que envolvem ética e limites.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/12/2017

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2017, o drama do diretor sueco Ruben Östlund (Força Maior) é um primor de composição, ritmo e acuidade na exploração de alguns dos mais dramáticos temas contemporâneos.
 
Seu protagonista é Christian (Claes Bang), um poderoso curador de um grande museu em Estocolmo, cuja vida gravita num ambiente privilegiado. Christian tem poder e gosta de usá-lo neste universo dominado por tendências abstratas e grandes patrocinadores. A partir de um incidente comum, este controle começa a ruir. O curador é assaltado de maneira engenhosa, mediante um golpe na rua. Rastreando a localização de seu celular num prédio num bairro distante, ele segue um plano mirabolante de um jovem subordinado, Michael (Christopher Laesse), para recuperar os itens roubados, inclusive sua carteira e abotoaduras.
 
Esta sua incursão fora do figurino do bom senso e do politicamente correto que o envolvem serve para que se comece a expor as rachaduras de um mundo insensível e comprometido apenas com sua própria lógica excludente – e não serão por acaso os diversos encontros do curador com mendigos pelas ruas elegantes de Estocolmo.
 
O título – The Square (O quadrado) – refere-se a uma obra, cujo conceito guiará a nova exposição pretendida pelo museu, para a qual se planeja uma campanha midiática capaz de viralizar na internet. A confluência dos efeitos desta campanha com a atitude temerária de Christian para recuperar seus objetos sustenta um roteiro hábil em extrair as contradições de alguns dos setores mais influentes do mundo moderno, como os colecionadores de arte e os ricos patrocinadores dos museus, mas não só. Melhor ainda é que a história encontra, cada vez mais, o humano por trás destas grandes aparências e de rituais engomados.
 
Para quem acompanhou a obra anterior do diretor, Força Maior (2014), The Square pode parecer mais fragmentado e disperso. Esta sensação se instala especialmente porque este novo filme se distribui em diversos focos de atenção e multiplica detalhes de uma forma mais multifacetada, enquanto Força Maior extraía sua potência de um cenário único e do foco fechado numa família. Aqui, não. A todo momento, o filme parece querer capturar seu espectador desprevenido, arrastando-o por caminhos obscuros, sem que ele possa captar imediatamente onde vai. É o caso da participação de Elisabeth Moss como uma jornalista que entra na vida de Christian e proporciona um outro episódio desagregador. Mais ainda é o episódio do jantar de gala no museu em que um homem forte (Terry Notary) realiza uma performance que sai dos trilhos e é absolutamente inquietante.
Nenhum dos detalhes, por menor que seja, é gratuito. As partes do todo dialogam, constroem um sentido que é ambicioso, certamente, conectando-se para produzir uma reflexão bastante aguda sobre a contemporaneidade. E que tem a vantagem de valer-se de doses precisas de um humor absolutamente corrosivo.

Neusa Barbosa


Trailer


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