Assim é a vida

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Sinopse

Max é dono de uma empresa organizadora de festas, mas está farto de tudo isso. Um dia, tem que organizar a festa de um casamento chique num castelo e, como sempre, há uma enormidade de problemas a resolver. Falta um garçom, o cantor habitual foi substituído e um outro garçom descobriu que a noiva é a grande paixão de sua vida que há anos foi a causa de sua depressão.


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Crítica Cineweb

11/12/2017

Dupla responsável por roteiro e direção de comédias inspiradas como Intocáveis (2011) e Samba (2014), Éric Loredano e Olivier Nakache unem novamente suas forças para escrever e conduzir Assim é a vida, em que tomam a organização de um bufê de casamento como mote para abordar as loucuras da existência.
 
Max (Jean-Pierre Bacri) é o dono da empresa que organiza festas e cujo cotidiano não inspira inveja a ninguém. Na maior parte do tempo, o que ele faz é administrar conflitos e problemas, decorrentes não só das falhas de seus fornecedores como de seus empregados. Ele mesmo, afinal, está longe da perfeição. É um sujeito que, há tempos, não resolve uma longa crise em seu casamento, mantendo, enquanto isso, um relacionamento com uma de suas funcionárias, Josiane (a atriz canadense Suzanne Clément, de Mommy) – que também está farta do impasse.
 
Mais um dia de trabalho, mais uma festa, desta vez num idílico castelo do século XVII. O casamento é de Pierre (Benjamin Lavernhe) e Helena (Judith Chemla) e o noivo é o rei dos chatos. Logo na chegada, Max sabe que será uma longa jornada infernal. Sua auxiliar, Adèle (Eye Haidara), já está brigando com os músicos pelo uso do único elevador do local e entrando em guerra contra o cantor Étienne, aliás, James (Gilles Lellouche). Falta um garçom e o substituto, Samy (Alban Ivanov), não tem nenhuma experiência. Outro garçom, Julien (Vincent Macaigne), acaba de descobrir que a noiva é uma ex- que desencadeou sua antiga crise de depressão. O fotógrafo Guy (Jean-Paul Rouve), uma verdadeira peça de museu, é duro de controlar, ainda mais quando se vê diante de uma bandeja cheia de guloseimas.
 
Embora não atinjam a mesma acidez e sarcasmo de um Robert Altman em sua Cerimônia de Casamento (1978), os diretores são capazes de extrair, ao longo da disparada desta engrenagem absurda e louca, uma série de bons momentos que permitem que deixemos de lado um pouco este protagonista um tanto monótono vivido por Bacri para mergulhar em diversos episódios de um ritual um tanto bizarro – a partir de detalhes como a exigência de garçons vestirem-se todos como lacaios do século XVII e de uma inusitada acrobacia planejada pelo noivo como seu grand finale.
 
Não falta igualmente um leve tempero à la Jean Renoir e sua A Regra do Jogo (1939) nos confrontos de classe delineados neste cenário exemplar - um castelo, como no filme de Renoir -, uma construção contemporânea da Revolução Francesa, com a câmera oscilando entre os convidados de alta classe e o pessoal da cozinha, entre os quais figuram alguns imigrantes que nenhum dos ricos costuma gostar de ter por perto. Fora isso, o dono do bufê está aterrorizado pela possibilidade de uma fiscalização que flagre as irregularidades de parte de seus contratos de trabalho.
 
É quando colocam em marcha esta soma de observações sobre a realidade contemporânea que os diretores conseguem firmar o passo, inseguro na primeira metade do filme, humanizando, de passagem, praticamente todos os envolvidos. Afinal, sua intenção, visivelmente, não é tecer um grande comentário político, que fica implícito de passagem.

Neusa Barbosa


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