Mulheres divinas

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Sinopse

Na Suíça do começo dos anos de 1970, as mulheres ainda lutam pelo direito de votar, e um referendo irá decidir isso. Uma dona-de-casa muda a vida de um pequeno vilarejo ao liderar um protesto pelo sufrágio feminino.


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Crítica Cineweb

07/12/2017

Escolhido para representar a Suíça na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, Mulheres divinas, escrito e dirigido por Petra Volpe é um filme com uma história mais importante do que bom. Seu tema é o sufrágio feminino em seu país, que, espantosamente, só foi concedido em 1971 – no Brasil, a título de comparação, foi em 1932.
 
A luta pelo direito das suíças votarem é revelada por meio da história uma pequena cidade e uma dona de casa que acabou liderando as mulheres locais a se manifestar. Nora (Marie Leuenberger), cujo nome, não por acaso, remete à protagonista da peça A casa de bonecas, passa o tempo fazendo seus trabalhos de casa e cuidando da família, sem receber ajuda ou reconhecimento do marido, dos filhos ou do sogro que mora com eles. Pequenos incidentes, no entanto, incendeiam seu senso de justiça e rebelião.
 
Primeiro, o marido, Hans (Max Simonischek), a impede de se candidatar a um emprego, usando a velha falácia de que mulher que trabalha não cuida direito da casa e do marido. Nessa mesma época, sua sobrinha adolescente, Hanna (Ella Rumpf), é mandada para a prisão, com autorização dos pais, porque namora um homem pouco mais velho do que ela e de cabelo comprido.
 
A época é o final dos anos de 1960, em que, como mostra o filme, parte do mundo está vivenciando a contracultura, o amor livre e movimentos sociais. Na Suíça, no entanto, a mulher estava longe de falar o que pensava, mas Nora acaba batendo de frente com um ricaça local, a sra. Wipf (Therese Affecter), dona de empresas e patroa de Hans. Para ela, a igualdade entre os sexos é um pecado contra a natureza.
 
A princípio de forma involuntária, Norma acaba sendo envolvida pelo movimento sufragista, depois de uma viagem a Zurique, às vésperas de um referendo em 1971, que irá decidir sobre o sufrágio feminino – em outras palavras, os homens participarão de uma eleição para decidir se as mulheres poderão votar ou não. Com a ajuda de uma idosa, Vroni (Sibylle Brunner), e uma italiana, Graziella (Marta Zoffoli), que acabou de se mudar para a cidade, a protagonista liderará um movimento que tentará reunir as mulheres e convencer seus maridos a lhe darem o direito ao voto.
 
O terreno por onde a diretora e roteirista anda não traz muitas surpresas, e seu filme é construído praticamente todo em cima do previsível. Mesmo assim, é impossível não tomar partido de Norma e suas companheiras diante de tanta injustiça. Conta muito também o imenso carisma da atriz Marie Leuenberger, cujas feições se transformam ao longo do filme, enquanto vai aprendendo a lidar com a tigresa (nas palavras de uma guru hippie que conhece em Zurique) que traz dentro de si.
 
Ao falar de um problema do passado – a impossibilidade da mulher votar -, a diretora parece nos dizer que o presente seria mais evoluído, que esse tipo de coisa não acontece mais. Mas é exatamente no momento em que começamos a ficar confortáveis de que tudo ficou para trás, o filme nos lembra que essas conquistas só vieram por meio de muita luta e sofrimento, e que foi um processo lento e gradual. Aí é quando Mulheres divinas mostra sua verdadeira razão de ser: lembrar que continuam a existir outras lutas.

Alysson Oliveira


Trailer


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