Lumière! - A aventura começa

Ficha técnica

  • Nome: Lumière! - A aventura começa
  • Nome Original: Lumière! - L’aventure commence
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 90 min
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Thierry Frémaux
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Debruçando-se sobre 108 filmes curtos, de 50 segundos, realizados entre 1895 e 1905 e recentemente restaurados, o diretor do Instituto Lumière, em Lyon, e do Festival de Cannes, Thierry Frémaux reavalia a importância do papel de Louis Lumière, pioneiro inventor do cinematógrafo e do cinema.


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Crítica Cineweb

07/12/2017

Antes de Louis Lumière, havia a busca pela invenção do cinema. Depois dele, o cinema ficou definitivamente inventado – não só a arte, como a linguagem, a técnica e também a sala de cinema. É toda a forma de olhar para a própria origem e existência do cinema que o diretor Thierry Frémaux pretende reestabelecer a partir de seu inspirado documentário, Lumière! A Aventura Começa.
 
Diretor do Instituto Lumière, em Lyon – e também do Festival de Cannes -, Frémaux aproveita o processo atualmente em curso de restauração dos 1422 filmes realizados por Lumière e seus operadores para debruçar-se sobre 108 deles e comprovar que a invenção de Lumière foi muito além do cinematógrafo – reconhecendo, é claro, que ele aproveitou os progressos anteriores de diversos inventores, acrescentando a dimensão pública que lhes faltava.
 
Através de uma narração minuciosa, Frémaux observa que Lumière criou também o remake, já a partir do filme inaugural, retratando a saída dos operários da fábrica de sua família, em Lyon (onde funciona hoje o instituto). Tanto que o filme foi refeito pelo menos outras duas vezes, demonstrando a consciência de seu realizador sobre a composição dos planos, o lugar de colocação ideal da câmera para contar algo em 50 segundos (a duração destes primeiros filmes) e o conceito de encenação.
 
Isto foi feito não apenas em relação a estes documentários – afinal, Lumière criou também a ficção, em filmes como o famoso O Regador Regado, que mostra um jardineiro atormentado por um menino que trava o funcionamento de sua mangueira – igualmente um filme refeito e aperfeiçoado em novas versões.
 
O primeiro personagem do cinema foi, portanto, o povo – os operários da fábrica, como depois os nadadores do rio Saône, em Lyon. Mas também a intimidade familiar dos Lumière é captada, com retratos intimistas do cotidiano das crianças, mostrando os primeiros passos de um bebê, crianças dançando, uma menina e um gato – filmes esses que Frémaux considera, com razão, renoirianos.
 
Ciente de que o cinema se tornava a melhor forma de retratar o mundo, Lumière despacha seus operadores, como Gabriel Veyre e Alexander Prémo, que filmam o Vietnã (então Indochina), o México, o Japão, os EUA, a Itália. Igualmente inovadores, estes filmes inauguram movimentos como o travelling, realizado pioneiramente pela colocação da câmera num barco, no Grande Canal de Veneza.
 
É curioso reconhecer, nestas cenas inaugurais, pegadas por onde seguiram futuros cineastas. Um filme retratando os pescadores antecede a investida neorrealista de Luchino Visconti em A Terra Treme; outro, mostrando japoneses fumando ópio, parece uma cena retirada de Ralé, de Akira Kurosawa; outra câmera colocada num barco cheio de marinheiros antecipa o Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein.
 
Fica claro, também, que não escapava ao pioneiro do cinema o sentido do espetáculo, retomando-se a história do susto dos espectadores ao assistirem à filmagem da chegada do trem à estação de La Ciotat que, no final do século XIX, os fez saltarem das cadeiras, temendo ser atingidos pelo trem – filme que também foi refeito algumas vezes. E, já naquela época – os filmes mostrados foram feitos entre 1895 e 1905 -, descobriu-se a cor, como demonstra um filme de dança, que foi colorizado, de acordo com as técnicas então disponíveis.
 
Ao organizar estes 108 pequenos filmes numa única sessão, unindo-os por temáticas mais do que por cronologia, Frémaux permite revê-los sob uma nova associação que leva à redescoberta de uma arte já tão exaustivamente explorada quanto reinventada, despojando nossa visão do passado de preconceitos e noções superficiais. Por tudo isso, este documentário é uma cristalina revisão da arte que nos hipnotiza há 122 anos.

Neusa Barbosa


Trailer


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