Em busca de Fellini

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Locais de filmagem


Sinopse

Lucy sempre viveu sozinha com sua mãe, Claire, que a criou super-protegida, dentro de um mundo idealizado e repleto de filmes. Um dia, quando a mocinha completa 20 anos, vai procurar um emprego, mas dá errado. Por acaso, ela entra num cinema e descobre a obra de Federico Fellini. Seu sonho então é partir para a Itália para conhecê-lo.


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Crítica Cineweb

06/12/2017

Idealizado por Nancy Cartwright – atriz mais conhecida por emprestar sua voz a Bart Simpson na série Os Simpsons -, Em Busca de Fellini tem na veia a intenção de uma homenagem a Federico Fellini (1920-1993), o inesquecível diretor de clássicos como A Doce Vida e Amarcord.
 
Nancy, que assina o roteiro ao lado de Peter Kjenaas, entrega a direção ao sul-africano Taron Lexton, estreante em longas de ficção, e encontra na atriz Ksenia Solo uma intérprete disponível a compor uma protagonista de olhos arregalados e inocência incorruptível – claramente calcada numa personagem felliniana, Gelsomina, de A estrada da vida (1954), ali interpretada por Giulietta Masina.
 
Ksenia encarna Lucy, uma moça de 20 anos que nunca saiu de sua cidade, em Ohio. Nunca teve um namorado ou um emprego. E agora, sua mãe, Claire (Maria Bello), que a criou sozinha, dentro de uma redoma e com uma educação impregnada de filmes, está doente e prestes a morrer.
 
É também uma inspiração de A estrada da vida, mais especificamente um homem forte do circo, que lembra o protagonista Zampanò (Anthony Quinn), quem injeta o primeiro toque de realismo mágico capaz de apresentar o mundo felliniano a Lucy – criada à base de filmes norte-americanos.  No dia em que decidiu procurar seu primeiro emprego, na cidade, ela vê esse homem misterioso e decide segui-lo pela rua, apenas para encontrar um velho cinema que apresenta uma retrospectiva da obra de Fellini.
 
Introduzida no mundo meio mágico, meio louco e profundamente humano dos filmes do diretor, Lucy cai de amores por ele. Continua em casa a ver seus trabalhos, empilhando vídeos (o ano da história é 1993). Algo que causa estranheza à sua mãe e à sua melhor amiga (Mary Lynn Rajskub), mas, apesar disso, Claire apoia a nova paixão da filha – até o ponto de estimulá-la a uma viagem à Itália, para conhecer Fellini. E assim ela faz, tendo o cuidado de marcar por telefone um encontro com o diretor, através de um assistente dele.
 
A licença mágica continua numa Itália até certo ponto idealizada à qual Lucy vai ao encontro – perdendo-se, na primeira parada, ao desviar-se de Roma, onde tinha o encontro marcado, para Verona, não por acaso, a pátria de Julieta e Romeu. Se é aqui que Lucy acha o amor, também não será todo adocicado seu percurso, que vai passar por uma Veneza que, em alguns momentos, lembrará Satyricon e trará sustos e personagens bizarros, ameaçadores, no caminho da ingênua viajante.
 
Em todo caso, Lucy não abrirá mão de chegar à Via Margutta, endereço de Fellini em Roma. Mas esta é uma jornada cuja concretização, afinal, é o amadurecimento desta espécie de Alice no País das Maravilhas, a quem a atriz empresta um rosto absolutamente cristalino.
 
No entanto, a homenagem a Fellini, embora sincera, é, de algum modo, filtrada por um olhar que não compreende a fundo algumas nuances do universo felliniano, tão abundante de contradições e excessos, inseparáveis de sua beleza e humanidade. O diretor aqui usa referências de Fellini, como cenas de seus filmes e entrevistas, sem na realidade, conseguir evocar de fato o mundo que ele criou. Fellini e sua obra não cabem de maneira nenhuma numa moldura sentimental ou eventualmente moralista, como acontece aqui. Se o filme, de todo modo, levar alguém a ter a curiosidade de descobrir Fellini por si mesmo – o que é incerto -, já terá sido muito.

Neusa Barbosa


Trailer


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