Coragem! - As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns

Coragem! - As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns

Ficha técnica

  • Nome: Coragem! - As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns
  • Nome Original: Coragem! - As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 75 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Ricardo Carvalho
  • Elenco:

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Sinopse

Cardeal-arcebispo de São Paulo de 1970 a 1998, D. Paulo Evaristo Arns (1921-2016) foi uma figura única na mobilização contra os excessos da repressão política durante a ditadura militar (1964-1985), tornando-se uma referência na defesa dos direitos humanos e na luta pela redemocratização do País. Este documentário lembra sua vida e seus feitos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

06/12/2017

Ele foi um pastor em tempos difíceis e nunca lhe faltou coragem para assumir a linha de frente como defensor dos pobres, oprimidos, perseguidos políticos e familiares de desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985). Por conta disso, o cardeal-arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns (1921-2016), tornou-se o inimigo público número um do arbítrio e da violência do Estado de exceção.
 
É difícil, para quem não viveu aquele período sombrio, avaliar plenamente a importância da figura do arcebispo – que, ninguém tenha dúvida, se arriscava pessoalmente numa época em que toda e qualquer pessoa podia ser passível de prisão se enquadrada dentro da duvidosa categoria de “subversivo”. Não poucos religiosos, eventualmente até mesmo bispos, sofreram perseguições por seu posicionamento e militância de direitos humanos. Por isso mesmo, quando a repressão atingiu também a Igreja, D. Paulo, que exerceu seu posto desde 1970 até 1998, entrou de peito aberto na atuação política.
 
Dirigido pelo jornalista Ricardo Carvalho, autor de dois livros sobre D. Paulo – O cardeal e o repórter e O cardeal da Resistência -, o documentário Coragem! As muitas vidas de D. Paulo Evaristo Arns tem farto material para narrar. Tanto lembrando as organizações e projetos criados por ele, como a Comissão Justiça e Paz, o Projeto Brasil: Nunca Mais e pastorais, como a da Infância, como citando episódios exemplares desta militância de muitas décadas.
 
Este é o caso de suas visitas-surpresa a presídios, em busca de notícias sobre prisioneiros ou desaparecidos, ou à sede do DEOPS – o Departamento de Ordem Política e Social em São Paulo, responsável pela repressão – onde, quando não era recebido pelo comandante da vez, ficava rezando o terço na calçada. Ou de suas denúncias dos crimes da ditadura no jornal da Arquidiocese, O São Paulo, mandando colar seus exemplares nas portas das igrejas. Ou quando mandou vender um palácio pertencente à Arquidiocese, comprando, com o resultado da venda, 1.200 terrenos destinados aos mais pobres. Ou quando doou o valor de um prêmio recebido por ele para que o padre Júlio Lancellotti construísse a Casa da Oração, para moradores de rua. Ou quando foi o primeiro a denunciar que o jornalista Vladimir Herzog não havia se suicidado na prisão, como afirmaram as autoridades, mas sim sido assassinado por seus algozes. Por isso e muito mais, ele mesmo tinha um dossiê no DEOPS que se avolumava em 46 fichas.
 
O documentário alinha materiais de arquivo, com entrevistas de diversas pessoas que com ele conviveram, e também suas próprias entrevistas, constituindo um notável acervo acerca da personalidade de uma figura imprescindível da história brasileira e que soube, além do mais, mover-se em direção ao ecumenismo, unindo forças ao reverendo presbiteriano Jaime Wright (que morreu em 1999) e ao rabino Henry Sobel na luta contra a tortura e pela democratização do País. Os três, aliás, lideraram um culto ecumênico pela alma de Herzog, na Catedral da Sé, em 1975, que se tornou um marco na luta pela redemocratização do País. Por tudo isso, o filme chega num bom momento, já que mais do que nunca é importante lembrar o quanto a tolerância pelas diferenças pode conciliar-se com a intransigência na defesa dos direitos humanos para todos.

Neusa Barbosa


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