Zama

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Don Diego de Zama é um oficial da coroa espanhola estacionado numa colônia na América do Sul, onde espera uma transferência que nunca vem. Obrigada a sofrer penúria material e convivendo com vários tipos marginais e violentos, Zama começa a perder sua sanidade.


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Crítica Cineweb

06/12/2017

Nove anos depois de A mulher sem cabeça, até hoje inédito em circuito comercial no Brasil, a argentina Lucrecia Martel finalmente conseguiu completar sua adaptação do romance modernista Zama, de seu conterrâneo Antonio Di Benedetto. Os minutos iniciais do filme são, estranhamente, uma verdadeira ode à globalização com os créditos que trazem empresas e nomes de diversas partes do planeta, passando por Pedro Almodóvar, Danny Glover, Gael García Bernal e a brasileira Vânia Catani.
 
Desde sua primeira exibição mundial no Festival de Veneza, em agosto de 2017, Zama revelou-se divisivo nas opiniões. Aqueles que esperam algo mais próximo do estilo característico de Martel – que também inclui O Pântano e A Menina Santa – poderão se decepcionar. É seu primeiro longa, por exemplo, a não trazer uma personagem feminina forte – em cena, além de algumas índias, apenas uma aristocrata, interpretada pela catalã Lola Dueñas, e uma escrava muda e manca feita pela brasileira Mariana Nunes.
 
Don Diego de Zama é interpretado pelo espanhol Daniel Giménez Cacho. Ele é um oficial da coroa espanhola, estacionado na América do Sul, à espera de uma promoção que nunca vem. A cada ano que passa, sua sanidade é consumida e seus atos vão tornando-se cada vez mais ensandecidos.
 
No que diz respeito à narrativa, Zama faz as obras elípticas da diretora parecerem convencionais. A trama, se é que se pode chamar assim, é propositadamente caótica e lacunar. Anos e anos se passam, personagens entram e saem sem deixar impressão mais forte. Nada disso é gratuito, mas tudo isso já figurava no romance original. Em sua primeira adaptação literária – até então, os roteiros de seus longas eram ideias originais –, Martel parece sentir o peso da importância de Di Benedetto em seus ombros cinematográficos.
 
O filme não traz muito de novo em relação à obra original. A diretora parece apenas ilustrar com imagens aquilo que já está nas páginas do livro. Faltou-lhe, desta vez, apropriar-se do romance, tomá-lo para si, jogá-lo fora e fazer o seu filme. Algo como, digamos, fez Francis Ford Coppola com o seu Apocalypse Now, originado de O coração das trevas, do polonês Joseph Conrad.
 
A menção  a esse romance sobre a colonização belga no Congo vem a calhar. Zama, de La Martel, toma muito emprestado desta obra em sua construção de uma atmosfera de distopia e enlouquecimento. A certa altura, tal como o narrador de Conrad e o protagonista de Coppola, que saem em busca da mítica figura de Kurtz, Zama procura um personagem cuja captura poderá ser catalisadora de seu sucesso. Ou não.
 
É louvável que a diretora leve seu filme junto com o personagem na descida do abismo da insanidade.  A fotografia do português Ruy Poças (Tabu) contrasta um modo de vida europeu sufocante nos trópicos com a liberdade da natureza e dos nativos que se expandem pela região. Zama cresce exatamente na sua reta final quando o protagonista já não tem mais um pingo de juízo, abandona a colônia e se junta a um bando de renegados – entre eles, o personagem de Matheus Nachtergaele. É quando a diretora parece finalmente se apossar dos personagens, das tramas. Mas aí é tarde, e o filme já está dando seus últimos suspiros.

Alysson Oliveira


Trailer


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