Apenas um garoto em Nova York

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Sinopse

Thomas é um aspirante a escritor, mas não sabe muito bem o que fará com sua vida confusa. A chegada de um novo vizinho e seu envolvimento com a amante do pai deixarão sua situação ainda mais complicada.


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Crítica Cineweb

06/12/2017

Depois de dois filmes da série Homem-Aranha (2012 e 2014, protagonizados por Andrew Garfield) e alguns trabalhos para a televisão, o diretor Mark Webb retorna em Apenas um garoto em Nova York a algo mais próximo da sensibilidade que mostrou em seu primeiro longa, a comedia-romântica (500) Dias com ela,.
 
O garoto do título não é bem um garoto – embora ainda lhe falte bastante maturidade para se assumir definitivamente como adulto. Ele é Thomas Webb (Callum Turner), filho de um casal da alta elite intelectual de Nova York, que circula por ambientes finos e cultos, mas que também não sabe muito bem o que fazer da vida. Está apaixonado por uma amiga, Mimi (Kiersey Clemons), que, além de ter namorado e ser bem mais madura do que o protagonista, pretende estudar na Croácia.
 
Com a família as coisas também não andam bem para Thomas. Sua mãe (Cynthia Nixon) é emocionalmente frágil, e quando ele descobre que o pai (Pierce Brosnan) tem uma amante, Johanna (Kate Benckinsale), fica preocupado com o que a mãe pode fazer contra si mesma. O novo vizinho do rapaz, que já não mora com os pais, é um sujeito estranho, chamado W. F. Gerald, e o fato de ser interpretado por Jeff Bridges o transforma em alguém descolado e misterioso. Ele se torna o novo confidente de Thomas, lhe dá conselhos – especialmente porque a relação do protagonista com o pai não é das melhores, e fica ainda mais abalado quando descobre que ele tem uma amante.
 
Thomas começa a seguir Johanna, a confronta e sai perdendo. Mas não muito, porque também acaba se envolvendo com ela. Se a cabeça do protagonista não era lá a mais lúcida, ele fica ainda mais perdido ao tentar roubar a namorada do pai.
 
Webb e seu Thomas são repletos de boas intenções e criam um personagem que transita entre os protagonistas de A primeira noite de um homem e O apanhador no campo de centeio, conferindo-lhe uma dimensão de melancolia, privilégio e esnobismo intelectual e financeiro – sem que ele se dê conta disso – e uma dose de Don Juan. De longe, Thomas é o personagem mais bem resolvido do filme, mas o que sobra para os outros não é bem assim.
 
O pai, Ethan, e o vizinho são relativamente bem construídos em suas intenções e ações, mas as personagens femininas estão longe disso – e se dividem entre santas e demônias. A mãe é frágil e incapaz de fazer qualquer coisa sozinha, precisa sempre da ajuda e proteção do marido ou do filho; Mimi talvez seja a mais próxima de um ser humano, embora Thomas insista em menosprezar os desejos e planos dela porque ele se julga melhor que tudo isso. Pior ainda é o papel de Johanna (cujo nome remete ao título da música de Bob Dylan, "Visions of Johanna") –, a amante sem coração que seduz um pai de família e, não contente com isso, também mantém um caso com o filho.
 
Ela é a personagem mais mal resolvida do filme, mas, em seu favor, o longa tem a dizer que tudo é filtrado pela sensibilidade de Thomas, egoísta e míope em sua visão de mundo, o que faz sentido dentro desse contexto a demonização de Johanna. Resta saber se Apenas um garoto em Nova York compactua com isso ou não – e, pelo destino que dá à personagem, aparentemente, sim.

Alysson Oliveira


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