120 Batimentos Por Minuto

Ficha técnica


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Sinopse

Nos anos 1990, a AIDS é uma epidemia e laboratórios e governo falham em proporcionar e pesquisar tratamentos satisfatórios. Militantes do grupo ativista Act Up, em Paris, lutam no limite de suas forças para pressionar autoridades e fabricantes de medicamentos. Lá dentro, Nathan e Sean vivem sua paixão, diante do drama de que Sean é soropositivo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

29/11/2017

Vencedor do Grande Prêmio do Júri e do prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes 2017, o drama de Robin Campillo resgata um dos maiores pesadelos dos anos 1980 e 1990, a epidemia de AIDS. Em meio à indiferença das autoridades e laboratórios, e sua lentidão em oferecer respostas eficazes a uma doença que matava diariamente muitas pessoas – encaradas com preconceito, ainda mais se eram gays, toxicômanos ou prostitutas –, levantaram-se, entre outros, os ativistas da seção francesa do Act Up (a organização original era de Nova York).
 
Promovendo ações espetaculares, invadindo reuniões governamentais e convenções médicas, jogando sangue falso em empresários farmacêuticos e outras atitudes visando chamar a atenção pública, o grupo discute suas estratégias mas vive também seus dilemas pessoais. Um dos ativistas mais aguerridos, Sean (Nahuel Pérez Biscayart), envolve-se com outro colega, Nathan (Arnaud Valois). A paixão entre os dois materializa dramaticamente o dilema de estar vivo naqueles tempos, ainda mais porque Sean é HIV positivo, carregando um vírus para o qual não se tinha qualquer medicação eficiente - as poucas existentes provocavam severos efeitos colaterais.
 
A história dedica uma boa porção igualmente aos conflitos internos dentro do grupo ativista, liderado por Thibault (Antoine Reinartz), servindo para demonstrar o quanto foi importante a atuação de organizações como esta, certamente inspiradora em tempos tão sombrios como o nosso, atolado de causas que se necessita igualmente abraçar.
 
O que o filme tem de melhor é colocar este passado no presente, injetando a urgência dos acontecimentos e emoções, não escamoteando os choques e contradições dentro de um grupo bastante grande e heterogêneo. A alguns dos militantes, não agradava a agressividade de suas táticas de guerrilha, confrontando autoridades e dirigentes de laboratórios – o que, na imprensa da época, não raro lhes garantiu cobertura negativa. De todo modo, foi a ousadia e persistência de núcleos como este que permitiram que a questão da AIDS, realmente de vida e morte então, não pudesse mais ser ignorada, permitindo a evolução de seu tratamento verificada hoje.
 
Quem viveu aquela época sempre tem seus mortos para lembrar, sejam amigos, colegas, parentes, amantes. Para eles, como para Nathan e Sean, tantas outras pessoas que se amaram naqueles dias, o alívio de medicações mais eficazes não chegaria a tempo. E 120 Batimentos por Minuto consegue equilibrar o peso entre este fio dramático intimista com a questão social e política que deseja retratar, sem deixar de pontuar também a persistência da homofobia, que ainda não foi superada. Nisso está a sua verdade maior.

Neusa Barbosa


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