Corpo delito

Ficha técnica

  • Nome: Corpo delito
  • Nome Original: Corpo delito
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 76 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Pedro Rocha
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Depois de ficar preso 8 anos, Ivan Silva passa à prisão domiciliar, usando uma tornozeleira. No velho ambiente da Favela dos Índios, em Fortaleza, ele se sente sufocado pelo isolamento, a proibição de sair, e também é confrontado pelas tentações do crime.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/11/2017

Corpo Delito, de Pedro Rocha, é um documentário que olha de perto a questão carcerária no Brasil. Não a partir de dentro da prisão, mas de processos sociais que lotam as cadeias, num círculo vicioso de fabricação de criminosos a partir de uma pobreza sem solução.
 
Um de seus focos está nas alternativas para quem já incorreu no crime e experimenta algumas formas de liberdade provisória, que visam, em tese, a permitir a readaptação dos presos à vida comum – que, quando voltam a ela, continua tão árida e escassa de oportunidades como quando dela saíram para a prisão. Começa-se essa análise acompanhando a rotina de uma casa de transição, em que presidiários saem de um regime fechado para um semi-aberto, o que lhes permite voltar à própria casa, usando uma tornozeleira.
 
Ivan Silva, o personagem-símbolo, é um deles. Tem 30 anos e ficou 8 anos preso e agora tem dificuldades para seguir as novas regras. Acha difícil conformar-se a esse novo isolamento em sua semiliberdade, em que só lhe é permitido deslocar-se entre a própria casa, que divide com a mulher, Gleice, e a filha pequena, Glenda, e a da mãe, que fica ao lado. Ele se sente sufocado e sente o apelo da vida que levou antes, especialmente pela convivência com José Neto, de 18 anos – um retrato do que ele foi no passado. Os dois passam o dia vendo filmes de ação na TV, ouvindo rap e, de vez em quando, fumam maconha. Ainda assim, Ivan não sossega. Um dia, sai de seus trajetos autorizados para um bar. Rapidamente, é descoberto e tem que prestar satisfações à justiça.
 
A promotora do caso queria a suspensão de sua prisão domiciliar. Por sorte, o juiz dá uma nova chance a Ivan. Mas o problema continua. Ivan, como os outros garotos e homens das redondezas de sua comunidade – a Favela dos Índios, em Fortaleza – não têm ocupação, lazer, lugar no mundo. O filme acerta em mostrar esse vazio, esse déficit de civilização que envolve a camada pobre da população no Brasil.
 
Um outro acerto do filme está na radiografia da repetição desse círculo vicioso que praticamente empurra a maior parte desses jovens pobres para o crime. Um garoto vai ver um tênis numa loja – o que ele sonha custa R$ 700,00. Como sequer sonhar com uma coisa dessas, morando do “lado errado” da cidade, com acesso precário a educação e empregos? Que opções essa juventude segregada realmente tem?
 
Uma imagem icônica, no final, surge quando a câmera acompanha vários desses meninos olhando ao longe as piscinas dos prédios ricos da cidade. Totalmente fora do alcance.

Neusa Barbosa


Trailer


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