Com amor, Van Gogh

Ficha técnica

  • Nome: Com amor, Van Gogh
  • Nome Original: Loving Vincent
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Polônia
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Drama, Animação
  • Duração: 96 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Dorota Kobiela, Hugh Welchman
  • Elenco:

Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 4 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

A vida e a morte de Van Gogh são o centro da investigação dessa animação com traços, cores e estética inspiradas na obra do pintor holandês, morto em 1890.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/11/2017

Há algo de lisérgico, psicodélico nas pinturas de Vincent van Gogh, e basta olhar para elas por alguns minutos que suas pinceladas pareçam ganhar movimento. Sua vida e morte sempre intrigaram pesquisadores, admiradores e cineastas – rendendo filmes como Sede de Viver (1956), Van Gogh – Vida e obra de um gênio (1990) entre outros. A animação Com amor, Van Gogh combina essas duas coisas e sua maneira peculiar de pintar e sua vida/morte.
 
Dirigido por Dorota Kobiela e Hugh Welchman – autores do roteiro com Jacek Dehnel –, o filme acompanha os últimos meses de vida do pintor holandês, investigando sua morte que, até poucos anos atrás, era tratada como suicídio. Mas, em 2011, uma biografia escrita por Steven Naifeh e Gregory White Smith causou polêmica ao levantar a hipótese de que Van Gogh teria sido morto por um tiro desferido por um rapaz de 16 anos, René Secrétan, que andava vestido de cowboy e atormentava o artista.
 
A questão, no entanto, no film,  não é exatamente como morreu Van Gogh mas como ele pintava. O resultado é um belo pastiche visual que embala uma narrativa meio sonolenta, porque está mais interessado na estética do que na construção da trama. E, realmente, o que se vê na tela é fascinante, mas, ao mesmo tempo, não deixa de se destacar mais do que qualquer outro elemento. Os mais de 65 mil frames do longa foram feitos um a um artesanalmente, num estilo que imita o do pintor holandês. Como não se impressionar com isso, e passar os 88 minutos de projeção pensando no trabalhão que teve a equipe para alcançar esse resultado? É um dos problemas do filme de Kobiela e Welchman: chamar a atenção para si mesmo.
 
É como se toda a criatividade do projeto fosse canalizada apenas para o estilo, deixando-o com pouca substância e alguns clichês, como o filme terminar com a música Starry Starry Night, que em 1971, Don McLean gravou em homenagem ao pintor. Talvez esse pensamento comece a ser fomentado porque a trama é confusa e pouco envolvente.
 
Construído como um filme policial, o narrador é Armand Roulin, que posou para diverso quadros de Van Gogh, investigando a morte do pintor. É uma estratégia bem-sacada do roteiro, que serve com guia para a narrativa, mas que nem sempre é tão bem-resolvida como poderia ser.
 
A partir de diversos personagens dando depoimento a Roulin, ele tenta montar o quebra-cabeças sobre o que realmente aconteceu com o artista. Ele é filho do carteiro de Auvers-sur-Oise, onde morreu Van Gogh, que tenta entregar uma carta do pintor para o seu irmão Theo. A famosa correspondência entre a dupla, aliás, também aparece ao longo do filme.
 
Ganhador do prêmio de público na 41a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Com amor, Van Gogh é mais impressionante do que interessante. O resultado é algo bonito, mas que, com o tempo, vai perdendo sua força porque só tenta se segurar na plasticidade. Como homenagem, funciona bem. Como investigação da vida e obra de Van Gogh, joga pouca luz além daquilo que já se sabe ou viu. Poderia ter funcionado melhor como um curta-metragem.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança