Thelma

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Quando Thelma sai da casa dos pais e se muda para Oslo, onde fará faculdade, sofre de estranhas convulsões, que aparentemente estão ligadas a fenômenos paranormais. Ao mesmo tempo, passa a sentir-se confusa com o desejo que sente por sua melhor amiga, Anja.


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Crítica Cineweb

14/11/2017

Candidato a uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro pela Noruega, Thelma, de Joachim Trier, é muitos filmes num só. Flerta com o drama e o fantástico com a habitual segurança do diretor, conhecido no Brasil por dramas de impacto como Mais Forte que Bombas, que concorreu às principais premiações no Festival de Cannes 2015, e Oslo, 31 de Agosto (2011).
 
Num filme governado pelo feminino, a protagonista, Thelma (Eili Harboe), é uma jovem de 19 anos que acaba de mudar-se para Oslo para cursar a universidade, deixando para trás os pais, o médico Trond (Henrik Rafaelsen) e a dona de casa Unni (Ellen Dorrit Petersen). As primeiras pitadas de estranheza são já colocadas neste retrato de família. Aparentemente tranquilos e dedicados à filha, estes pais parecem ansiosos demais com a separação dela, exigindo contatos diários por telefone.
 
Detalhes de uma educação rigidamente cristã surgem quando Thelma, a custo, inicia algumas amizades no campus. Caso de Anja (Kaya Wilkins), uma jovem desinibida que não demora a expressar sua atração por Thelma. Thelma é um modelo de contenção, aparentemente forjada em anos de convivência com a família superprotetora. Mas nada disso é suficiente para impedir a força do despertar de seus desejos, no limiar da vida adulta. A maneira como o filme explora alguns caminhos e situações cria uma tensão adicional pela ocorrência de fenômenos aparentemente paranormais – como quando Thelma, numa biblioteca, sofre uma espécie de convulsão, ao mesmo tempo que diversos pássaros perdem a direção, chocando-se contra os vidros das janelas.
 
Assinando o roteiro ao lado de seu habitual parceiro, Eskil Vogt, Trier vai compartilhando com o público os detalhes do passado de Thelma com economia e precisão. Assim, constrói uma tensão que, diante de certos fatos, transforma-se em verdadeiro horror.
 
A maneira como Thelma hesita em ir ao encontro de suas vontades, ao mesmo tempo que recupera a memória de inquietantes episódios de sua infância, vão pautando uma história que se torna, igualmente, uma metáfora da satanização do feminino por mecanismos de controle social, como a medicina e a religião. Dessa maneira, o diretor cria um drama de terror que é também fabular e constrói sua atmosfera em sequências de grande impacto visual.
 
Não é pouca coisa contar com uma protagonista tão disponível quanto a jovem atriz Eili Harboe, cujo rosto enigmático, de verdadeira esfinge, incorpora as múltiplas dimensões requeridas por uma personagem de complexidade exemplar. Ao seu lado, Kaya Wilkins contrapõe o seu gelo com a energia e sensualidade necessárias, disparando os sentimentos que tornam o filme uma fantasia exemplar para tempos sombrios.

Neusa Barbosa


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