Histórias de amor que não pertencem a este mundo

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Sinopse

Por 7 anos, Claudia e Flavio, dois professores de literatura, viveram os altos e baixos de uma paixão complicada - embora planejassem casar-se. Eles rompem e Claudia entra em parafuso. Ela o assedia constantemente, achando que não pode viver sem esse amor. Mas outros acontecimentos esperam a ambos.


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Crítica Cineweb

07/11/2017

Em sua primeira parte, a comédia romântico-dramática italiana Histórias de amor que não pertencem a este mundo corre o risco de alienar parte de sua plateia, detendo-se nos excessos de Claudia (Lucia Mascino) – uma mulher madura atordoada com o fim de seu relacionamento de sete anos com Flavio (Thomas Trabacchi), levando-a a um comportamento histérico, desmedido, incômodo.
 
A opção arriscada da diretora Francesca Comencini, que aqui adapta seu livro homônimo, a rigor, deve ser encarada como um desafio – e que os posteriores desdobramentos da história compensarão, para o espectador que tiver a paciência de tolerar os exageros de Claudia, que eventualmente tornam-se até engraçados, embora nem sempre. A atriz Lucia Mascino é a grande responsável por manter um interesse humano na polêmica personagem, a quem, felizmente, o filme dará novas chances.
 
De algum modo, o olhar do espectador que se irrita com a Claudia inicial, desesperada e escandalosa, defrontando-se com um Flavio que parece sempre contido e controlado, não deixa de refletir também um bocado o modo como o olhar social classifica apressadamente as mulheres em geral – não raro, tachadas como loucas quando não se mostram conformadas aos desígnios de sua existência.
 
Professora universitária de literatura, Claudia não se conforma com o fim do amor e parte para uma batalha absolutamente insana pela reconquista de Flavio – com cuja resistência, à primeira vista, se pode até compactuar. Talvez seja uma opção errada da diretora insistir demais neste momento irracional de sua protagonista. Mais adiante, mostra-se capaz de radiografar a discriminação feminina no chamado “mercado sexual”, ganhando, a cada década e a cada filho, pontos negativos que rebaixam suas chances de novos amores – como se ilustra numa curiosa “aula” em preto e branco, em que uma professora discorre sobre os meandros de “hetero-capitalismo” para uma angustiada plateia feminina, em que se inclui também Claudia.
 
Esta fantasiosa aula é uma das preciosas ousadias, inclusive formais, de um filme que também abriga uma sintomática inversão de expectativas, quando permite vislumbrar o arsenal de inseguranças e a frieza emocional de Flavio – especialmente quando este dialoga com uma espécie de alter ego de Claudia em torno dos problemas de seu novo relacionamento com uma moça bem mais jovem.
 
É neste momento, quando se liberta da carga monotemática da fixação amorosa de Claudia, que o filme finalmente decola e reflete sobre múltiplos aspectos da paixão, permitindo também à protagonista arriscar-se em novas experiências com uma jovem admiradora, Nina (Valentina Bellè).
 
Ao inserir imagens de casais em outras épocas, Francesca Comencini sintoniza sua história com o eterno sonho de um amor eterno, cujas ilusões românticas ela não subscreve. Seu problema foi apenas o equilíbrio – a diretora devia ter liberado Claudia de seu impasse bem antes.

Neusa Barbosa


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