Lygia, uma escritora brasileira

Lygia, uma escritora brasileira

Ficha técnica

  • Nome: Lygia, uma escritora brasileira
  • Nome Original: Lygia, uma escritora brasileira
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 75 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Helio Goldsztejn
  • Elenco:

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Sinopse

A vida e a obra de Lygia Fagundes Telles é reavaliada, contando com depoimentos de Walnice Galvão, Manuel da Costa Pinto, Ignácio de Loyola Brandão e das netas da escritora, Lucia Telles e Margarida Gorecki Zanelato.


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Crítica Cineweb

01/11/2017

Num país tão polarizado e marcado por idiossincrasias, é raro encontrar-se uma unanimidade – ainda mais uma que não seja nada burra, como ironizava a célebre máxima de Nelson Rodrigues. Assim se apresenta a escritora paulista Lygia Fagundes Telles, que do alto de seus bem-vividos 94 anos, desfruta de amor incondicional tanto entre a crítica quanto entre os colegas e o público.
 
O documentário Lygia, Uma Escritora Brasileira, de Helio Goldsztejn, procura resgatar alguns dos momentos-chaves dessa trajetória exemplar da autora que, para a crítica Walnice Galvão, é “filhote de Machado de Assis”, por sua concisão e ausência de excessos estilísticos, e também, pelo conjunto de sua obra, “merecia o Nobel”.
Para quem tem o privilégio de ler em português uma obra que começou a ser publicada há mais de 70 anos, povoada por romances como Ciranda de Pedra e As Meninas e inúmeros volumes de contos, como Seminário dos Ratos, tais afirmações não soam descabidas. A garota paulistana que descobriu sua vocação ainda menina, colaborando no jornalzinho da escola, desabrochou numa escritora que conjuga solidez e coragem autorais, desbravando, além do mais, um lugar para as mulheres na literatura.
 
Nascida em 1923, Lygia é do tempo em que se podia ouviam facilmente ditos machistas deste nível: “Para que essa coisa de escrever, você, que tem essas bonitas pernas”. Ou ouvir elogios dúbios do tipo: “Você escreve como um homem”. Por isso, não é de estranhar que ela considere a “revolução da mulher a mais importante do século XX”. Ela viveu isso, ao lado de Hilda Hilst e de Clarice Lispector, sua amiga, todas compondo uma espécie de santíssima trindade feminina no panteão dos grandes autores brasileiros, nenhuma delas exatamente bem-comportada, nem na vida, nem nas páginas dos livros.
 
Belíssima e dona de grande simpatia pessoal, Lygia não teve medo de deixar seu primeiro marido, o consagrado jurista Goffredo da Silva Telles (1915-2009) – pai de seu único filho, Goffredinho (morto em 2006) - e viver depois um relacionamento com o crítico e professor Paulo Emílio Salles Gomes – a quem ela chama de “companheiro perfeito”. Foi mesmo um desses encontros como que marcados no céu o romance entre a escritora e um dos pensadores mais essenciais, defensor incansável do cinema brasileiro.
 
Entre Lygia e Paulo Emílio (morto em 1977) nutria-se também um incondicional amor pelo país, apesar da consciência de suas muitas imperfeições e tragédias – um “país tão miserável e tão maravilhoso”, como ela define, ao qual “você tem que se dedicar com paixão”.
 
Uma das melhores definições desta romancista e escritora urbana, altamente identificada com sua cidade natal, São Paulo, e retratando em sua obra a decadência dos quatrocentões, vem do colega Marcelino Freire: “uma grande dama que trabalha os avessos”. Porque é sempre possível identificar em sua obra alguns vieses do lado sombrio da vida e da natureza humana e, não raro, um pendor afinado para o fantástico.
 
Formalmente, o documentário coproduzido pela TV Cultura, é um pouco limitado, contendo diversos materiais televisivos do próprio canal – inclusive trechos de adaptações teleteatrais de obras da escritora, além de entrevistas. Nada disso impede que se assista ao documentário com prazer, já que Lygia, em todas as fases, é uma entrevistada cativante, capaz de grandes frases e de lembrar histórias curiosas – como quando ela, ainda estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, decidiu visitar o escritor Monteiro Lobato, então preso pelo Estado Novo, apenas porque era leitora de sua obra.

Neusa Barbosa


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