O outro lado da esperança

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Khaled foge da Síria para a Finlândia. Ali, pede asilo e tenta retomar contato com a irmã, que se perdeu dele pelo caminho. Enquanto isso, acha emprego num restaurante e procura escapar da fúria de hordas fascistas, que tentam espancar todos os imigrantes que encontram.


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Crítica Cineweb

01/11/2017

Quando se assiste aos filmes de Aki Kaurismaki, uma ideia às vezes atravessa a mente – se essa Finlândia que os habita existe mesmo, ou é fruto da imaginação dele. Em seu novo filme, O outro lado da esperança, vencedor do prêmio de melhor direção em Berlim, a impressão é de um pouco das duas coisas, ou seja, uma mistura impregnada de um toque documental já que, mais uma vez, ele insere o mal-estar da Europa na receita.
 
Desde O Porto (2011), Kaurismaki fala dos refugiados, combinando seriedade e leveza de sua maneira peculiar. Desta vez, ele acompanha a jornada de um sírio, Khaled (Sherwan Haji), que chega à Finlândia escondido na carga de carvão de um navio, uma imagem forte logo de início, já que o homem emerge dessa espécie de montanha de pó preto brilhante como um alienígena, o que de certa maneira ele não deixa de ser neste contexto tão hostil. Despojando-se dos restos do carvão, ele vai entrando na realidade de Helsinque, procurando asilo por vias legais, depois tentando simplesmente permanecer.
 
O restaurante onde Khaled encontra emprego concentra as contradições e o humor que Kaurismaki gosta de explorar. Comandado por um ex-vendedor de camisas, Wikstrom (Sakari Kuosmanen), e um impagável trio de funcionários, para lá de bizarros, o lugar, a determinada altura, vira um sushi-bar, sem um único japonês atrás do balcão. É nesse ambiente que o diretor exercita seu humor, opondo a essas ideias mirabolantes para renovar o estabelecimento a convivência com a burocracia da fiscalização, da qual tem-se que esconder tanto Khaled quanto uma cachorrinha, esta proibida na cozinha por motivos sanitários.
 
Mesmo cultivando as situações cômicas, não se perde de vista que na Finlândia os organismos estatais que decidem sobre os pedidos de asilo são tão indiferentes quanto os dos demais países europeus e que Khaled precisa, ocasionalmente, salvar a pele de ataques de fascistas anti-imigrantes. Enquanto isso, ele se desespera por ter perdido contato com sua irmã Miriam (Niroz Haji), que ficou retida em uma das muitas fronteiras que atravessaram.
 
Nessa peculiar mistura de drama e leveza, Kaurismaki explora o inesgotável absurdo que brota da própria vida. Pensando bem, é quase um documentário.

Neusa Barbosa


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