Dona Flor e seus dois maridos

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Locais de filmagem


Sinopse

Após a morte de seu marido, Vadinho, Dona Flor se casa novamente, mas a saudade do marido é tanta que ele volta para encontrá-la.


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Crítica Cineweb

30/10/2017

Se tivesse opção, talvez Vadinho não voltasse dos mortos para essa nova versão cinematográfica do romance de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos – que completou 50 anos em 2016. Tudo aquilo que se imagina da mítica criada pelo escritor baiano está num tom menor, em versão sanitizada do clássico, na qual as pessoas fazem sexo sem suar, sem que um fio de cabelo saia do lugar. A protagonista, uma professora de culinária, talvez deva ser chamada de chef, e, anacronicamente, poderia ter um canal no youtube. Seu vatapá deve ser gourmet.
 
Marcelo Faria repete o papel de Vadinho que fez no teatro, mas seu tipo carioca não funciona muito na pele do malandro baiano de bom coração. Sem roupa durante boa parte do filme, o ator parece contar mais com o físico do que com o emocional para criar seu personagem, que morre durante o Carnaval, e deixa viúva sua mulher fogosa, Dona Flor, interpretada por Juliana Paes.
 
Flor, antes de enviuvar, divide o tempo entre o marido, que a quer não importa onde nem quando, e suas aulas de culinária. Ele não trabalha e a explora para saciar seu vício por jogo e mulheres. Isso gera alguns dos momentos em que o filme romantiza violência doméstica como algo inevitável ou até fetichista. Flor apanha, mas também, no dia seguinte, vai à rua buscar o marido bêbado que perdeu tudo (até a roupa) no jogo.
 
Depois de viúva, se casa com uma farmacêutico metódico, Teodoro, interpretado por Leandro Hassum, que, aqui, perde a chance de mostrar que é um ator além dos gritos, caras e bocas que costumam marcar suas interpretações. Seu personagem é metódico, mas careteiro, e o ator não perde a chance de arregalar os olhos em todas as cenas, como se isso fosse a marca da seriedade.
 
Escrito e dirigido por Pedro Vasconcellos (O Concurso), Dona Flor e Seus Dois Maridos é a terceira versão nacional (um tanto desnecessária) do livro. Além da famosa, de 1976, dirigida por Bruno Barreto, com Sonia Braga e José Wilker – o maior sucesso de bilheteria nacional até ser superado por Tropa de Elite 2, em 2011 –, houve uma série de televisão, no final dos anos 1990, com Giulia Gam e Edson Celulari. As opções estéticas do diretor são um tanto estranhas, especialmente para uma história que se passa sob o sol escaldante de Salvador, começando pela fotografia, com uma luz difusa em todo ambiente, fazendo parecer que a cidade está tomada por um fog londrino. A trilha sonora, por sua vez, se contenta em alternar “Gostoso demais” com “É o amor”, ambas na voz de Maria Bethânia, com pitadas de “Isso aqui tá bom demais”, com Dominguinhos e Chico Buarque, nas cenas no cassino.
 
Ninguém, no entanto, pode acusar Vasconcellos de não ser corajoso. Teve a bravura de fazer uma nova versão de um dos filmes nacionais mais famosos e bem sucedidos de todos os tempos. O mesmo vale para o trio central. A comparação não é saudável para nenhum dos filmes, mas acaban sendo invevitável, com a nova produção perdendo feio.  

Alysson Oliveira


Trailer


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