Terra selvagem

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Locais de filmagem


Sinopse

Uma jovem agente do FBI une forças com um caçador para investigar o assassinato de uma jovem nativa norte-americana na reserva indígena de Wind River.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

13/10/2017

Em Terra Selvagem, o diretor estreante Taylor Sheridan (roteirista de, entre outros, A qualquer custo) cria uma espécie de noir tingido pela neve constante numa região gélida onde os fracos não têm vez. “Apenas a neve. E o silêncio. Isso é tudo”, diz um dos personagens, e essa ideia resume o longa de ponta a ponta.
 
O cenário é a reserva indígena Wind River (que também é o título original do filme), em Wyoming. O filme começa com uma jovem nativa americana, Natalie (Kelsey Asbille), correndo desesperada na neve, até que não resiste e sucumbe. Pouco depois seu corpo é encontrado, e há marcas de abuso sexual. Entra em cena uma agente do FBI, Jane Banner (Elizabeth Olsen), e o fato de ser mulher, jovem e pouco experiente logo coloca sua capacidade em xeque, num mundo dominado por homens raivosos.
 
Para investigar o caso, ela precisa quebrar uma barreira e estabelecer comunicação com os nativos da região, especialmente com o pai da vítima, interpretado pelo ator comanche Gil Birmingham. Ela conta com a ajuda de Cory Lambert (Jeremy Renner), um homem cujo trabalho é caçar e eliminar predadores. Uma caçada, aliás, foi o que o fez encontrar o corpo de Natalie.
 
Cory é um cowboy da neve. Seu jeito de pensar, agir e viver o inscreve na tradição do vaqueiro solitário tentando superar uma grande dor. Jane é jovem, empenhada, mas também insegura e emocionalmente instável. Seu trabalho a coloca na tradição de outras detetives do cinema, como Clarice Starling, de O Silêncio dos Inocentes, e mesmo aquela interpretada por Emily Blunt, em Sicário, cujo roteiro também é de Sheridan.
 
Aqui, o diretor/roteirista se mostra menos ambicioso do quem em A qualquer custo, o que não quer dizer que o filme seja menos eficiente. É um acerto seguir por esse caminho na estreia na direção. Sem se interessar por firulas visuais ou narrativas, Sheridan se concentra nas dinâmicas de pequenos e grandes poderes que se estabelecem entre os personagens e parecem resumir em si parte da história dos EUA – como exploração e dizimação dos povos nativos e a opressão à mulher.
 
A julgar por esse filme e também por aqueles escritos por ele, Sheridan pensa, desde quando escreve o roteiro, como um diretor, mais do que como roteirista. Parece mais interessado em construir a ação e estruturar a trama, mais do que elaborar diálogos excessivamente trabalhados. É nisso Terra Selvagem encontra sua força.

Alysson Oliveira


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