O Advogado

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Sinopse

Song é um advogado tributarista bem-sucedido, mas sem amigos ou conexões. Quando está no ápice de sua carreira, toma uma decisão surpreendente: aceita defender um jovem maltratado na prisão.


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Crítica Cineweb

10/10/2017

Como se forja um líder de movimentos populares em épocas sombrias como a ditadura é o cerne de O Advogado, sucesso sul-coreano de 2013, que chega com um pouco de atraso ao Brasil. Dirigido e roteirizado pelo então estreante Woo-seok Yang, a produção revisita, a partir de fatos reais, o início da carreira de Roh Moo-hyun (1946-2009), que de advogado pobre passou a ativista pelos direitos humanos e, mais tarde, presidente da república (2003).

Verborrágico, pavio-curto e anedótico, Roh Moo-hyun é uma personagem e tanto para biógrafos. Mas o que o diretor faz, aqui, é um filme-homenagem, quase institucional de uma figura que, para os admiradores, foi historicamente um injustiçado, e, para os detratores, um político medíocre e corrupto.

Woo-seok Yang, no entanto, não faz uma biografia completa. Centra suas atenções no advogado subestimado e ambicioso, interpretado pelo excelente ator Kang-ho Song, de Mr. Vingança (2002), O Hospedeiro (2006) e Sede de Sangue (2009). Menosprezado pelos colegas de profissão, para quem é motivo de chacota, quer apenas fazer fortuna, alheio aos problemas políticos e sociais da ditadura sul-coreana, no s anos de 1980.

Sua ignorância sobre o seu contexto é exasperante. Em determinado momento, questionado sobre a manipulação da mídia pelos militares, retruca: “Mas se não é para acreditar no que diz a TV, no que vamos acreditar então?”. Uma clara e insidiosa liberdade do diretor e roteirista para amplificar o efeito de sua transformação que virá a seguir. 

Ela começa quando um universitário é preso, acusado de comunista subversivo por participar de um clube de leitura universitário. Ele e outros jovens azarados são torturados nos calabouços da política militar. O rapaz, no entanto, é filho de uma pessoa com quem o protagonista tem uma dívida moral e, emocionalmente, isto o obriga a colaborar como seu defensor.

Roh Moo-hyun  não apenas o defende como se torna o líder de defesa do mais ruidoso episódio de violações de direitos humanos sul-coreano da década de 1980, o Caso Burim. A partir desse incidente, que ganhou visibilidade internacional, o advogado cimentou seu espaço na liderança do movimento pró-direitos humanos no país, que o fez, mais tarde, entrar para a vida política.

O diretor faz um filme comercial, um novelão de lógica binária, onde se encontra o herói que vence adversidades, e o vilão, a ditadura, é personificado pelo oficial do exército Cha (Do-won Kwak). Mesmo quase institucional, a produção encontra eco no Brasil de hoje, numa certeza que o personagem enfatiza pós-transformação, quando afirma que, independentemente de uma revolução social, o país precisa que a lei chegue para todos, de forma igualitária.
 
Em tempo: eleito presidente em 20013, Roh Moo-hyun foi alvo de todo o tipo de acusação de ilegalidades após deixar o executivo. Foi preso, tal como sua família, acusado de corrupção. Em 2009, se jogou de um penhasco, dando fim a sua história. A tragédia despertou em muitos sul-coreanos a inconformidade: teria sido injustiçado por um conluio político-midiático? Desconforto e indignação frente ao que parece certo nas notícias parece ser um bom legado do presidente. 

Rodrigo Zavala


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