A guerra dos sexos

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Bobby Riggs é um ex-campeão de tênis e machista assumido que desafia a tenista Billie Jean King, uma das melhores do mundo, para uma partida a fim de provar que os homens são melhores do que as mulheres.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/10/2017

O título engraçadinho talvez não dê a dimensão do filme dirigido pela dupla Valerie Faris e Jonathan Dayton (os mesmos de Pequena Miss Sushine). O longa ficcionaliza o jogo amistoso, em 1973, entre a tenista Billie Jean King (Emma Stone), uma das melhores do mundo da época, e Bobby Riggs (Steve Carell), que conheceu certa fama e vitórias antes mesmo de sua oponente nascer, mas transformou-se numa espécie de palhaço com piadas de mau gosto, além de assumidamente chauvinista.
 
O filme é, claro, busca uma história do passado para falar do presente. Billie Jean foi uma feminista assumida e uma de suas batalhas era para que as jogadoras de tênis ganhassem os mesmos salários e disputassem prêmios nos mesmos valores que os jogadores. Foi uma guerra árdua, conforme mostra o filme, que pende para o lado um tanto cômico, expondo especialmente o quão ridículo Riggs era.
 
Se o resultado do jogo é bem conhecido, o roteirista Simon Beaufoy constrói a trama a partir dos bastidores. E, segundo a própria tenista num entrevista recente a um programa de televisão norte-americano, o filme foi capaz de captar a essência daquele momento. O filme começa com Billie Jean conquistando o torneio o US Open de 1972, e descobrindo que a principal associação de tênis dos EUA anunciava um prêmio oito vezes maior para o campeonato masculino. Num ato de rebeldia, com ajuda de sua empresária, Gladys Heldman (Sarah Silverman), a esportista lança uma associação exclusiva para as tenistas a fim de melhorar as condições de trabalho. Sua batalha estava apenas começando.
 
Não é difícil tomar partido da tenista – e não apenas porque sua luta é mais do que justa, mas também porque Riggs é tão claramente um “porco chauvista”, como ele mesmo se intitula, que é impossível não odiá-lo a partir do momento em que ele abre a boca. É preciso, aqui, dar crédito a Carrell, um ator que começou a se destacar com comédias escrachadas – seu primeiro hit foi O virgem de 40 anos –, e, com o tempo, se encontrou também em papéis mais densos, como um milionário doentio em Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo, e aqui. Seu Riggs está a um passo da caricatura (o que não funcionaria dentro do filme), mas a interpretação segura no tom para que seja possível comprrendê-lo como o fruto de uma sociedade e época.
 
Ecoando o slogan da segunda onda feminista, dos anos de 1960 e 1970, “o pessoal é político”, a estrutura do filme transita entre os combates públicos da tenista e os privados. Quando começa a se preparar para os primeiros jogos da liga feminina, Billie Jean conhece uma cabeleireira, Marilyn (Andrea Riseborough), com quem acaba se envolvendo e questionando muitas de suas escolhas. Ela acaba se assumindo lésbica – primeiro apenas para si mesma e o marido (Austin Stowell), que se mostra bastante compreensivo. Naquele momento de sua carreira e do mundo, seria sua destruição isto vir a público.
 
Emma Stone – que ganhou um Oscar por La La Land – brilha no filme. Sua Billie Jean é feroz em sua luta por igualdade, mas também terna e assustada quando começa a descobrir o seu verdadeiro eu. A personagem não entra em cena para seduzir o homem dos seus sonhos – um diferencial, aliás, de muitas das protagonistas femininas de Hollywood – mas para fazer uma revolução.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança