Bom Comportamento

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Os irmãos Connie e Nick roubam um banco, e, durante a fuga, um deles acaba preso. O outro fará de tudo para resgatá-lo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/10/2017

Não deve ser nada fácil estar na pele de Robert Pattinson, que cerca de uma década atrás conheceu uma grande fama ao interpretar o vampiro romântico da série de filmes Crepúsculo. Sua carreira ficou um tanto marcada por esse papel, mas a cada novo filme o ator inglês tenta (e consegue) deixar esse estigma no passado. O  processo de superação começou em 2012, quando assumiu o papel principal em Cosmópolis, de David Cronenberg. E se intensificou com filmes como Mapas para as Estrelas, também de Cronenberg, e The Roover – A Caçada, de David Michô. Em Bom Comportamento, dos irmãos Benny e Josh Safdie, o ator chega a uma espécie de ápice, e será ótimo se não precisar provar mais nada a ninguém depois desse filme.
 
Pattinson é Connie Nikas, um ladrão de banco não muito competente que se importa com seu irmão, mentalmente limitado, Nick (o diretor Benny Safdie), mais do que com qualquer outra pessoa ou coisa no mundo. A dedicação dele ao outro é realmente comovente e, por isso, é doloroso quando, depois de um assalto, eles acabam se separando e Nick vai preso. O mundo desaba para o protagonista que precisa, a todo custo, resgatá-lo.
 
O filme é uma longa jornada noite adentro, tingida por antiquados tons de neon, que iluminam em cores brilhantes a melancolia que consome as vidas destroçadas de todos os personagens em cena – não apenas os irmãos Nikas. Roteirizado por Josh Safdie e Ronald Bronstein, Bom Comportamento é sobre isso: pessoas tentando sobreviver em meio a um mundo que as achata a cada movimento.
 
Jennifer Jason Leigh, por exemplo, faz aquele papel que sabe interpretar como ninguém: uma pessoa desequilibrada, mas tão desequilibrada que parece regredir à infância sob os cuidados de uma mãe castradora. Ela pode ser uma peça fundamental para ajudar a tirar Nick da cadeia. Outra pessoa a cruzar o caminho de Connie é Crystal (numa impressionante estreia de Taliah Webster). A personagem, como tantas outras aqui, é comovente no vazio da sua existência em busca de algo que o aplaque.
 
Antes mesmo dos créditos iniciais rolarem, lá pelos 15 minutos de filme, os irmãos Safdie já deixaram claro que seu Bom Comportamento é uma homenagem ao cinema norte-americano dos anos de 1970 – isso está até no design do pôster – com sua urgência e seus anti-heróis infelizes e fracassados na tentativa de lutar contra o sistema, seja em Um dia de cão, de Sidney Lumet, ou em Taxi Driver, de Martin Scorsese. É nesses protagonistas, talvez mesmo sem saber, que Connie está mirando, e ele parece não conhecer o destino trágico dessas figuras. O personagem desconhece, mas Pattinson, não. E o filme pulsa em sua performance contida e desesperada que, no fundo, parece saber que tudo o que o protagonista tentar está fadado ao fracasso. É o amor fraternal, numa batida da trilha sonora eletrônica, que segura os dois personagens centrais em pé.
 
Nenhum tubo de neon passa impune pela câmera do diretor de fotografia Sean Price Williams, e assim vemos Pattinson tingido das mais diversas cores, azul, verde, vermelho. Até aparecer com um cabelo platinado (faz parte do seu plano). Ele, como o filme, é um camaleão que muda a toda hora, que não para. Que não pode parar. Os irmãos Safdie encontraram nele a força motriz que impulsiona Bom Comportamento, um filme lisérgico cujos efeitos duram mais do que qualquer trip.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança