O formidável

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Em 1967, Jean-Luc Godard filma "A Chinesa", protagonizado pela mulher que ama, Anne Wiazemsky. O fracasso do filme, porém, desencadeia uma crise na vida do cineasta.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/09/2017

Depois de investigar a vida de um ator fictício do cinema mudo no oscarizado O Artista, o francês Michel Hazanavicius volta suas câmeras para outro momento crucial do cinema: meados dos anos de 1960, quando Jean-Luc Godard (Louis Garrel) termina seu filme A Chinesa e acaba se casando com a atriz principal, Anne Wiazemsky (Stacy Martin). Pouco depois, lança o filme, que é mal recebido por onde passa (desde a crítica até a esquerda, a quem o diretor pensava que poderia agradar, passando pelo público). Em crise, o cineasta questiona a potência da arte enquanto ferramenta política de revolução.
 
O tom que Hazanavicius adota é o cômico, compondo um pastiche tentando emular estilos distintos (especialmente aqueles que Godard usava na época em que fez A Chinesa), resultando em algo irregular. Seu filme não é destituído completamente de interesse, especialmente pela performance empenhada de Garrel, que se revela um fã apaixonado por Godard com um trabalho tão inspirado.
 
Uma pena que o filme não está à sua altura. Baseado num livro de Anne, a segunda esposa de Godard, e que morreu no último dia 5de outubro, o longa é claramente sua versão dos fatos. Sob o seu ponto de vista, o marido é o gênio atormentado que se consome em culpa pelo fracasso de seu filme e da dificuldade de transformar o mundo. Ele é também esnobe e arrogante - embora, novamente, Garrel seja capaz de injetar uma grande dose de humanidade num personagem potencialmente insuportável – a ponto de alienar a própria mulher que ama.
 
A recriação de Maio de 1968, com toda sua efervescência política-cultural e revolucionária, esbarra numa série de clichês que Hazanavicius não consegue superar. Não que se esperasse algo na mesma veia de Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci, ou Amantes Constantes, de Philippe Garrel, que são filmes com outras ambições e outras chaves, mas bem mais honestos em sua visão daquele momento histórico.
 
O resultado é um entretenimento moderado com momentos inspirados da dupla central de atores, com uma piada envolvendo os óculos de Godard que se repete à exaustão, e uma série de episódios da vida pública e privada do casal, ilustrada na tela para efeito às vezes mais, às vezes menos, cômico. 

Alysson Oliveira


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