El amparo

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Baseado numa história real, ocorrida na Venezuela, em 1988, o filme traz dois pescadores tentando provar sua inocência quando foram acusados de assassinar 14 colegas.


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Crítica Cineweb

27/09/2017

Grande vencedor da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo de 2016, o venezuelano El Amparo é um filme difícil de se ver, mas, ao mesmo tempo, extremamente necessário. Seu ponto de partida é uma tragédia ocorrida em 1988, na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, no vilarejo de El Amparo, quando um grupo de pescadores saiu para o seu trabalho: 14 deles são assassinados e 2 sobrevivem e são acusados de serem guerrilheiros.
 
A versão dos sobreviventes, e é aquela que o filme toma como verdadeira – assim como as autoridades Venezuelanas fariam mais tarde – é de que os pescadores foram mortos por militares e tentaram culpar a dupla que escapou, Wolmer Gregorio Pinilla (Vicente Quintero) e José Augusto Arias, mais conhecido como Chumba (Giovanny Garcia). O longa é roteirizado por Karin Valecillos, a partir de uma peça de teatro escrita por ela e pelo diretor, Rober Calzadilla, e materializa algumas questões pertinentes, como um duelo entre Davi e Golias e a disputa de narrativas.
 
Pinilla e Chumba são presos pelo chefe de polícia Mendieta (Vicente Pena) – e, estranhamente, essa é a sorte deles. Se isso não tivesse ocorrido, teriam sido levados por outras autoridades e tomados, de cara, como culpados. O policial local, em algo raro em se tratando de retrato de policia em países da América Latina, é mostrado sob uma luz positiva pois também duvida da “versão oficial” do crime e acredita na possibilidade da inocência dos dois pescadores.
 
Eles passam boa parte do filme na cadeia, enquanto recebem visitas de militares e políticos, interessado em fazer acordos para que eles assumam a culpa na chacina. Mais cedo ou mais tarde, a imprensa também entra em cena. O pequeno vilarejo de El Amparo é estilhaçado, pois famílias foram destruídas e aqueles que sobrevivem são jogados uns contra os outros.
 
A questão central do filme está na disputa da narrativa, e ganha, é claro, quem tem poder e dinheiro (não que as duas coisas estejam dissociadas). Diante de figurões, Pinilla e Chumba não têm muita chance. Karin e Calzadilla constroem a tensão de maneira exemplar sem apelar para estratagemas fáceis. Sabem que têm nas mãos uma história poderosa e que precisa ser contada. Uma denuncia que deve ser feita de um crime e de uma injustiça que não podem ser esquecidos. E fazem um filme contido, num tom quase documental e com algumas elipses – o massacre, por exemplo, nunca é mostrado – que ajudam a manter o foco no caso que lhes interessa aqui.

Alysson Oliveira


Trailer


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