Churchill

Ficha técnica


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Sinopse

Em junho de 1944, os Aliados preparam uma operação ousada - a operação Overlord, que prevê a invasão à Normandia ocupada pelos nazistas. Prevendo um número enorme de baixas e testando a própria autoridade, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill tenta opor-se a esta manobra, que culminou no Dia D.


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Crítica Cineweb

20/09/2017

Figura fundamental para a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965) ganha um perfil refinado, sendo interpretado pelo veterano ator escocês Brian Cox na cinebiografia Churchill, de Jonathan Teplitzky.
 
Com roteiro do escritor e historiador Alex von Tunzelmann, o filme, no entanto, permite-se um recorte muito particular na biografia do líder que conduziu o Reino Unido contra os nazistas. Focaliza as vésperas da Operação Overlord, em junho de 1944 – que passaria à história como o Dia D -, plano sustentado pelos generais Dwight Eisenhower (John Slattery), dos EUA, e Bernard Montgomery (Julian Wadham), da Grã-Bretanha, ao qual Churchill se opôs ferozmente.
 
Retrata-se com riqueza de detalhes esta oposição do político inglês, que combinava um lado público e outro pessoal. De um lado, Churchill lidava com fantasmas antigos, da fragorosa derrota sofrida na campanha de Galípoli, sob seu comando, em 1915, também uma operação anfíbia como a planejada na Normandia, e que resultou em milhares de mortes de soldados – como se prenunciava, novamente, aqui. De outro, Churchill preocupava-se com seu próprio ocaso como líder, sentindo-se a reboque de uma grande operação militar que não era sua ideia, sobre a qual não teria qualquer controle.
 
Cox empenha-se em interpretar o primeiro-ministro com fidelidade extrema – ganhou 10 kg e rapou o cabelo, além de treinar sua peculiar dicção –, dispondo de um roteiro que lhe oferece uma grande gama de contradições de seu famoso personagem. Seu Churchill é um homem ao mesmo tempo preocupado com o destino de seu povo e de seu exército – e nisto é bem sincero – quanto um velho político que sabe que o pedestal está lhe escapando de sob os pés. Para impedir que isso aconteça, é capaz de tudo, de encarar os generais, propor planos alternativos e até ameaçar acompanhá-los pessoalmente num dos navios rumo à Normandia.
 
Este Churchill teimoso e um tanto irascível, com seu eterno charuto pendurado dos lábios, correria, talvez, o risco de tornar-se caricato se não contasse com uma formidável opositora aos seus excessos – sua mulher, Clementine (Miranda Richardson). Um dos grandes prazeres deste filme está nos duelos verbais deste velho casal que se conhece tão bem quanto suas armadilhas e artifícios. Se há alguém capaz de dizer ao primeiro-ministro que ele está indo longe demais, este alguém é Clemmie – e o diretor do filme é inteligente o bastante para dar espaço para que contemplemos esta história também sob seu ponto de vista. Encarar Churchill, além de nada fácil, muito menos é gratificante.
 
Por mais que se saiba, afinal, o quanto a campanha da Normandia foi fundamental para a vitória dos Aliados – com todo o custo de vidas humanas que Churchill, acertadamente, previa, e os generais comandantes não ignoravam -, o filme serve também para colocar em primeiro plano a frieza da lógica de guerra, por acertada que seja. Ao inventar a personagem da secretária de Churchill (Ella Purnell) como a jovem noiva de um soldado envolvido na Operação Overlord, recorre-se a uma ferramenta melodramática, com certeza, mas oportuna para lembrar que todo e qualquer soldado que ali arriscou a vida era alguém individual, muito mais do que um número. E a esmagadora maioria deles, muito jovens, sequer desconfiava o tamanho do risco que corria.

Neusa Barbosa


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