Rock'n Roll - Por trás da fama

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Num filme repleto de metalinguagem, o diretor Guillaume Canet interpreta a si mesmo como um cineasta em crise. No elenco, também está sua mulher Marion Cotillard, como ela mesma.


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Crítica Cineweb

20/09/2017

A comédia francesa Rock’n Roll: Por trás da fama caminha sobre uma linha tênue na qual quase se transforma numa grande piada interna com a qual apenas os envolvidos (uma parte do cinema francês contemporâneo) conseguirá achar graça. O roteirista, diretor e protagonista Guillaume Canet, no entanto, consegue extrair um humor ácido antes que o seu filme se transforme nisso. Ele interpreta a si mesmo – ou uma versão de si mesmo – ao lado de sua mulher, Marion Cotillard, e outros amigos fazendo personagens baseados neles.
 
Com pouco mais de 40 anos, o personagem Guillaume Canet enfrenta uma crise existencial no set de um filme, no qual interpreta o pai de uma jovem (a modelo/atriz Camille Rowe). O fato de, em cena, ser o pai da jovem incomoda o protagonista, que começa a dar indiretas, fazer jogos para provar que não é tão velho, até que ela mesma decreta: ele perdeu seu rock’n roll. Não é mais o foco das atenções, e as mulheres, como ela mesma conta, preferem, por exemplo, Gilles Lellouch.
 
Canet se desespera, sua vida sai do prumo. Não é mais tão famoso e desejado como gostaria. Em casa, começa a ter problemas com Marion, que, se preparando para um filme que fará com Xavier Dolan, só fala com um incompreensível sotaque francês – uma piada que domina o filme, e não é bem resolvida nas legendas (nem teria como), tornando-se enfadonha porque se repete demais.
 
Aí talvez esteja uma das deficiências de Rock’n Roll. Para o apreciar bastante, é preciso conhecer as referências que talvez sejam básicas para o público francês, mas devem se perder no restante do mundo. Por exemplo, que o produtor do filme em que Canet trabalha, Yvan Attal, realizou um longa chamado Minha mulher é uma atriz (ele é casado com Charlotte Gainsbourg), ou, então, que Johnny Hallyday é um antigo astro do rock francês – a bem da verdade, sua participação é meio sem graça mesmo para quem sabe essa informação.
 
Na sua segunda metade, no entanto, o filme dá uma guinada, tornando-se mais bizarro, quando Canet se submete a uma transformação física – o trabalho de maquiagem facial e corporal é impressionante aqui – que traz à memória diversos astros e estrelas (especialmente de Hollywood) que se deformam em nome de uma suposta beleza e juventude eternas.
 
O filme, então, abandona o tom realista que adotara até então, tornando-se exagerado em seu humor estranho, disfarçado de crítica aos exageros do cinema e da indústria cosmética. Com uns 30 minutos a mais do que deveria, o filme se perde na reta final. Mas, ainda assim, é preciso dar crédito a Canet por se satirizar de maneira tão despudorada.

Alysson Oliveira


Trailer


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