Entre irmãs

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Locais de filmagem


Sinopse

Órfãs desde crianças, as irmãs Luzia e Emília foram criadas por uma tia, em Taquaritinga do Norte, interior pernambucano. Em meados dos anos 1930, a região é atravessada pelo bando do cangaceiro Carcará. Este se encanta por Luzia e decide levá-la com ele, para desespero de sua família.


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Crítica Cineweb

19/09/2017

O diretor Breno Silveira e a roteirista Patrícia Andrade já têm uma estrada de parceria pavimentada pelo sucesso, a partir de 2 Filhos de Francisco (2005). Ambos dominam o ritmo de uma carpintaria dramática com decidida preferência pelos melodramas carregados de diferenças familiares, uma receita que se repete em sua nova empreitada juntos, Entre Irmãs.
 
Inspirado no romance A costureira e o cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles, o novo filme tem uma pitada a mais de carga histórica. Ambientado nos anos 1930, o drama é atravessado pela convivência com o cangaço, que altera drasticamente a vida das irmãs Luzia (Nanda Costa) e Emília (Marjorie Estiano).
 
Órfãs criadas por uma tia, Sofia (Cyria Coentro), as meninas são inseparáveis. Cresceram na pequenina Taquaritinga do Norte (PE), treinadas pela tia costureira para integrarem seu ateliê itinerante de modista, que atende a clientes abonadas em suas casas. Apesar de sua ligação, as irmãs têm personalidades bem diferentes: Emília é romântica e espera a chegada de um príncipe encantado; amargurada por ter um braço paralisado desde a infância, resultado de uma queda, Luzia é mais dura e não espera o amor.
 
Um dia, o bando do cangaceiro Carcará (Júlio Machado, protagonista de Joaquim), chega a Taquaritinga, precipitando a separação das irmãs, já que ele decide levar Luzia consigo quando deixa a região.
 
Emília e Sofia vestem luto, sofrendo a ausência de Luzia, de quem não têm notícias por um bom tempo. Enquanto isso, o sonho de Emília parece realizar-se quando um jovem de Recife, Degas (Rômulo Estrela), a pede em casamento.
Filho do médico dr. Duarte (Cláudio Jaborandy) e da controladora dona Dulce (Rita Assemany), Degas é capaz de oferecer uma vida confortável a Emília, que parece sonhar de olhos abertos no ambiente urbano da capital pernambucana. O dia a dia na casa do marido, no entanto, coloca a menina provinciana romântica diante não só das esquisitices da sogra quanto de um segredo da vida sexual do marido.
 
Enquanto isso, no cenário inóspito do sertão, Luzia e Carcará se aproximam aos poucos, vivendo uma história de amor temperada pela rejeição de Orelha (Fábio Lago), o braço direito do chefe do bando, que vê com maus olhos a presença de uma mulher entre eles.
 
Filmado entre Piranhas (interior de Alagoas), Olinda e Recife, com uma produção bem-cuidada, o filme coloca em paralelo a trajetória destas duas irmãs, extraindo emoção dos inúmeros tropeços de sua sorte, com alguma ousadia ao inserir situações de homossexualismo e lesbianismo. Tudo se passa, no entanto, com absoluta contenção, só podendo incomodar espíritos excessivamente conservadores.
 
Importante salientar como há uma preocupação constante em contextualizar a situação social, mostrando um campo de flagelados da seca, um conflito num comício político e a passagem do Zepelim por Recife. Tudo isso acrescenta sabor a uma história centrada em mulheres em tempos em que sua afirmação enfrentava ainda mais obstáculos do que hoje. Os incidentes dramáticos se ajustam à engrenagem bem azeitada pelo diretor e a roteirista, contando com uma dedicação a toda prova do elenco, particularmente das duas protagonistas, duas das melhores atrizes de sua geração.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 21/10/2017 - 18h28 - Por Sandra Elza massi Amei o filme. As atrizes fizeram um trabalho sensacional. História envolvente.
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