Pendular

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Uma bailarina e um escultor se apaixonam e decidem viver e trabalhar num velho galpão industrial. Dividem o espaço profissional a partir de uma fita no chão e começam a experimentar os limites condicionados pela vida a dois.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/09/2017

Premiado na mostra Panorama do mais recente Festival de Berlim, Pendular oferece uma visão fluida de um romance ocupando um território físico e emocional, desenrolando-se no cenário de um velho galpão de fábrica que passa a ser o estúdio e a moradia do casal formado por uma bailarina (Raquel Karro) e um escultor (Rodrigo Bolzan).
 
Eles pouco se conhecem e a paixão evolui ao mesmo tempo em que eles dividem o espaço de suas atividades profissionais com uma fita vermelha colada no chão, que se torna símbolo da intenção de demarcar as fronteiras da intimidade.
 
Com uma linguagem que o aproxima de outras artes – não por acaso, sua inspiração inicial veio de uma performance de Marina Abramovic -, Pendular pode gerar algum incômodo nestes tempos conservadores pela franqueza de suas cenas de sexo, que terminaram por subir sua classificação etária nos cinemas para 18 anos – ao que produtores e diretora prometem apelar, já que se trata de um evidente exagero.
 
É, de todas as maneiras, um filme que se equilibra nos corpos e se materializa melhor na pele de Raquel Karro, através de sua dança e de um rosto muito expressivo. É bem mais fácil identificar-se, até instintivamente, com Raquel, cujo trabalho brota diretamente de sua pele, de seu corpo, de seus movimentos. Enquanto isso, as obras de seu companheiro são mediadas por instrumentos, ferramentas, tecnologia, já que ele trabalha com grandes blocos de madeira e ferro (esculturas que foram produzidas pela artista Elisa Bracher) e seu processo de criação é invisível para o público – já que se dá interiormente, de forma cerebral.
 
Essa opacidade dele, versus a transparência dela, aliás, alimentam o conflito básico deste casal, cujo convívio evolui para o atrito sem que eles consigam passar pela mediação do diálogo – exceto num momento em que a crise já se instalou.
 
Estruturado numa sucessão de atmosferas, de envolvimento pelos sentidos, mais do que propriamente numa narrativa linear, Pendular sustenta lacunas na história, num filme que se pretende mais sensorial, tornando a proposta mais exigente ao solicitar do espectador um maior envolvimento. 

Neusa Barbosa


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