O Jantar

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Dois irmãos e suas respectivas mulheres se reúnem num restaurante chique para discutir o que fazer com seus filhos, que cometeram um crime horrível.


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Crítica Cineweb

01/09/2017

Trabalhando a partir do best-seller holandês homônimo de Herman Koch – já adaptado para o cinema na Holanda e Itália –, Oren Moverman (O Mensageiro) tenta realizar um filme cínico sobre os altos extratos da sociedade norte-americana, enfim, uma crítica à burguesia. Tal feito, por mais corriqueiro que possa ser, necessita de certa sagacidade, alguma verve – coisas que O Jantar acredita ter, mas não é o caso.
 
Ao centro da trama, roteirizada pelo diretor, estão dois casais: Stan Lohman (Richard Gere) e Katelyn (Rebecca Hall), e o irmão dele, Paul (Steve Coogan) e Claire (Laura Linney). O motivo da reunião: um ato hediondo cometido pelos filhos deles. Cada deles um chega à mesa – num daqueles restaurantes caríssimos em que cada porção não chega a pesar 100 gramas – repleto de expectativas, ressentimentos e tramoias. A discussão ao longo da refeição será pautada pelo que fazer com os meninos: eles devem ser punidos? O crime cometido foi divulgado no YouTube, embora a identidade deles não tenha sido revelada.
 
Stan é um político que concorre a governador e sua imagem precisa ser impecável. Mas qual lado deve tomar, o de punir o filho – e passar a ideia de um homem justo – ou varrer o crime para debaixo do tapete? Ele e o irmão, um ex-professor de história, que sempre esteve à sombra do irmão mais bem-sucedido, têm visões de mundo diferentes, mas não necessariamente uma melhor do que a outra. Os dois parecem condicionados a um tipo de vida da qual não têm como escapar, e também não sabem criar seus filhos de outro modo. Os erros, assim como o privilégio de classe, persistem.
 
O Jantar gostaria de estar na mesma linhagem de filmes como Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e Deus da Carnificina, mas falta a Moverman uma compreensão maior dos personagens com quem está lidando. Depois de uma boa enrolação, finalmente o longa traz à mesa o prato principal, e este é exatamente como se imagina: com muita histeria de todos os lados. Antes disso, porém, são servidos flashbacks e digressões que tentam dar mais densidade aos personagens, mas isso não acontece como o esperado. Não parece uma boa opção desviar o foco da trama principal. Talvez um dramaturgo – os outros dois filmes foram peças de teatro originalmente – conseguisse afiar mais os diálogos, delinear melhor os personagens, atingindo assim o nível de acidez incisiva que o diretor tanto ambicionou.

Alysson Oliveira


Trailer


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