It: A coisa

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Numa pequena cidade do Maine, no final da década de 1980, crianças estão desaparecendo misteriosamente. Um grupo de adolescentes começa a investigar o caso e se deparam com uma força do horror que se materializa em diversas formas, entre elas, um palhaço chamado Pennywise.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

30/08/2017

O processo de amadurecimento de decantação da individualidade nos romances e contos de Stephen King sempre é doloroso, e, às vezes, assustador – na vida real também não costuma ser fácil, mas raramente chega a ser tão penoso quanto na obra do rei do terror. Basta ver Carrie, Danny (de O Iluminado), o protagonista de O Aprendiz, que trava amizade com um nazista, os garotos de Conta Comigo, ou os adolescentes de It: A Coisa, que ganha sua primeira adaptação cinematográfica pelas mãos do espanhol Andy Muschietti (Mama) – a versão dos anos de 1990 foi feita para a televisão e lançada em VHS no Brasil, na época.
 
O local não poderia deixar de ser Vintage King, uma cidadezinha do Maine, nos anos de 1980, o que permite ao diretor – trabalhando com um roteiro assinado por Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman – valer-se dessas peculiaridades e fazer uma investigação da última década em que o mundo esteve dividido em dois blocos políticos. Talvez não por acaso, a trama se passa em 1989, ano da queda do Muro de Berlim, o que marca o fim de uma era. É um novo momento histórico de opções mais restritas, e é esse mundo que os adolescentes Bill (Jaeden Lieberher), Richie (Finn Wolfhard), Eddie (Jack Dylan Grazer) e Stanley (Wyatt Oleff) enfrentarão. Mais tarde une-se a eles a garota Beverly (Sophia Lillis), Ben (Jeremy Ray Taylor), que acaba de se mudar para a cidade, e Mike (Chosen Jacobs), que trabalha no abatedouro do avô e teve uma experiência traumática quando perdeu os pais.
 
Conhecido como o “Clube dos Perdedores”, o grupo sofre bullying constante na escola, e nas férias de verão talvez as coisas ainda piorem. A cidadezinha enfrenta uma espécie de surto de desaparecimentos infanto-juvenis. O irmão caçula de Bill, Georgie (Jackson Robert Scott), desapareceu, deixando apenas um rastro de sangue numa rua encharcada de chuva diante de um bueiro. O acontecimento é mostrado no prólogo do filme – um ótimo exemplar de criação de tensão e medo, primeiro sugestivamente e com pistas falsas, até a concretização do horror na figura do palhação Pennywise (Bill Skarsgård), na já clássica imagem no vão do bueiro.
 
Pennywise é apenas mais uma das manifestações de uma força maligna capaz de materializar em si os maiores medos de suas vítimas. Transformá-lo, em boa parte da narrativa, num palhaço foi uma tremenda de uma sacada de King, uma vez que a figura traz em si uma dualidade que a torna complexa: há o aterrorizante (especialmente quando mostra seus dentes para dar o bote ou com seus jogos psicológicos) mas há também algo de lúdico, já que ele precisa seduzir sua vítima, trazê-la para si. Muschietti e Skarsgård trabalham nessa dinâmica de algo repugnante mas que também cativa. É como se o medo viesse daquilo ou daquele em quem você confia.
 
E isso é uma espécie de jogo de poder dos adultos sobre os adolescentes. Os pais, aqui, quando não são omissos, e, portanto, fora de cena, são abusivos física ou emocionalmente. Não é por acaso que esses adolescentes não querem crescer – Pennywise é o que melhor sintetiza isso: o adulto infantil numa crise de identidade. O problema, para os sete jovens protagonistas, é que o processo de amadurecimento é inevitável, e será a duras penas.
 
Com uma narrativa de mais de duas horas, Muschietti tem tempo suficiente para desenvolver seu grupo central, criando personagens densos, de forma que seus medos, quando vêm à tona, não sejam gratuitos nem uma mera desculpa para cenas de terror. Ajuda também muito o fato de os atores adolescentes serem talentosos e bem- dirigidos, fazendo parecer que realmente estão vivendo nos anos de 1980 (no romance original, essa parte da trama se passa no final dos anos de 1950).
 
Vinte e sete anos é uma data mítica em It: A Coisa: é o intervalo de tempo em que a criatura aparece para aterrorizar e capturar crianças. Curiosamente, esse mesmo período separa a famosa adaptação televisiva e esta nova. Espera-se, no entanto, que o diretor não leve outros 27 anos para levar a continuação ao cinema.

Alysson Oliveira


Trailer


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