Bye bye Alemanha

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Único sobrevivente de uma próspera família de comerciantes de cama, mesa e banho em Frankfurt, David Bermann tenta retomar o negócio depois do fim da II Guerra. No entanto, ele enfrenta a suspeita de ter sido colaborador dos alemães no campo em que foi prisioneiro.


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Crítica Cineweb

17/08/2017

Fechando o foco numa Frankfurt devastada pelos bombardeios da II Guerra, em 1946, Bye Bye Alemanha, do diretor Sam Garbarski, injeta um tipo muito peculiar de humor para tratar da história de um grupo de sobreviventes judeus.
 
Desde a primeira cena, acompanhando um simpático cão de três pernas por este cenário em escombros e, sintomaticamente, cheio de vida, tem-se a noção do tom que irá percorrer a narrativa, baseada em romance de fundo autobiográfico de Michel Bergmann. Todos ali sobreviveram ao massacre nazista, mas ninguém escapou sem cicatrizes, aparentes ou não.
 
O protetor do cão da primeira cena é David Bermann (Moritz Bleibtreu), único que restou de uma família de prósperos comerciantes de roupas de cama, mesa e banho. Sobrevivente de um campo de concentração, ele tenta agora retomar este comércio, mas não consegue autorização das autoridades de ocupação norte-americanas. O motivo – David é objeto de uma investigação, por ter supostamente colaborado com os nazistas.
 
Conduzido por uma jovem oficial, Sara Simon (Antje Traue), este inquérito obriga o constante comparecimento de David para depoimentos exaustivos, nos quais se fica sabendo que ele, um piadista nato, fora transformado no palhaço oficial do campo por seu próprio comandante alemão. A ironia, trágica até, desta situação, é levada mais longe pelo fato de que nunca se sabe exatamente o quanto David está falando a verdade. De todo modo,  a maneira como ele relata os incidentes de seu passado recente é saborosa por si mesma.
 
Em última instância, a lábia define este personagem, que logo encontra uma forma de retomar seu negócio, convencendo outro sobrevivente, Holzmann (Mark Ivanir), a obter uma licença. Rapidamente, David reúne um time de vendedores judeus, que usam despudoramente todos os meios, inclusive a chantagem emocional, jogando com o sentimento de culpa das donas-de-casa alemãs para obterem excelentes vendas de seus artigos de cama e mesa.
 
Ao recorrer à ironia nesta e em muitas outras situações, Garbarski se arrisca sobre uma fina linha. Mas nunca perde de vista o respeito pelas identidades humanas que está expondo na história. Assim, consegue retratar, de forma clara, as poucas escolhas deixadas à disposição destes judeus naqueles tempos de sua desgraça e os subterfúgios de que se valeram para escapar da morte certa. E não o faz com piedade e sim com as tintas da complexidade, mais nítidas no personagem de David Bermann, autor da própria versão de sua vida e sobrevivente, afinal, vencedor. Ele mesmo não cansa de lembrar aos amigos que eles estão vivos e Hitler, morto.
 
O título remete à disposição destes judeus de juntarem dinheiro para abandonar a Alemanha em favor dos EUA, deixando para trás o país em que nasceram e sofreram o maior dos genocídios. 

Neusa Barbosa


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