Shivá - Uma semana e um dia

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Eyal e Vicky acabam de perder o único filho. Depois da semana prevista para o luto, é tempo de retomarem suas atividades. Mas nenhum dos dois está apto a isso. Vicky volta inesperadamente para o trabalho na escola, encontrando um substituto. Eyal, por sua vez, torna-se obcecado por pequenas coisas e aproxima-se do filho dos vizinhos, Zooler, que fora amigo de seu filho.


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Crítica Cineweb

17/08/2017

O surpreendente longa de estreia do diretor americano-israelense Asaph Polonsky percorre, com grande sutileza, a experiência de um casal, Eyal (Shai Avivi) e Vicky (Evgenia Dodina), que acaba de perder seu filho único. Transcorrida uma semana de luto – a shivá do título -, os dois dão, cada um a seu modo, sinais de estarem desconectados de si mesmos e da realidade ao redor. Eyal, particularmente.
 
Com uma expressão impenetrável e a atitude de quem parece ter sido expulso da própria pele, Eyal recusa-se a ir ao cemitério para, ao invés, dirigir-se à clínica onde estava internado o filho em busca de um cobertor que desapareceu. Essas reações, claramente, são sua forma de desviar-se do contato com essa dor insuportável, num processo que se delineia com muito respeito, nunca de maneira ostensiva ou piegas.
 
Há mesmo um delicado humor envolvendo algumas situações – como quando Eyal procura o vizinho jovem, Zooler (Tomer Kapon) para ensiná-lo a enrolar baseados. A interação entre os dois, aliás, tem um nível excêntrico que nunca ultrapassa um certo limite, já que permite, ao contrário, evidenciar pontos de contato com a fragilidade humana, possibilitando a empatia.
 
A tentativa de Vicky de abraçar sua vida normal, voltando ao trabalho sem aviso e comparecendo a uma consulta agendada no dentista, é uma forma ainda mais incisiva de implosão sentimental – e o rosto desta admirável atriz é um espelho de um imenso arsenal de emoções represadas.
 
São notáveis a segurança e a sensibilidade com o que o diretor, também roteirista, trafega entre as diversas situações em que circulam seus personagens, confluindo para uma admirável sequência na qual Eyal, indo ao cemitério, é finalmente capaz de abrir-se ao fato de que sua dor não é a única no mundo, empatizando com um homem que tece uma elegia fúnebre para sua irmã. A cena em que se mostra uma digressão acerca deste homem é um admirável feito narrativo, acrescentando uma camada extra de complexidade, inclusive visual, ao filme.
 
Por tudo isso, Shivá – uma semana e um dia, que integrou a Semana da Crítica em Cannes, é tudo, menos um filme óbvio sobre um casal exposto à dor e à premência da vida que continua. O interesse que ele deve despertar é mais em função dessa originalidade na tentativa de penetrar uma experiência comum à espécie humana, independentemente das diferenças geográficas e religiosas. 

Neusa Barbosa


Trailer


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