Doidas e santas

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Beatriz é uma terapeuta de casais de muito sucesso, inclusive escrevendo vários bestsellers sobre a vida a dois. Aos 40 anos, no entanto, ela vive uma crise com o próprio marido, Orlando, além de descobrir que perdeu o contato com a paixão em sua vida - o que ela percebe se comparando com a mãe, Elda, uma senhora cheia de vida.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/08/2017

Partindo do livro de Martha Medeiros e da peça nele inspirada, de Regiana Antonini, Doidas e Santas, de Paulo Thiago, pretende ser uma comédia em torno de diversos tipos femininos vivendo dilemas da contemporaneidade. A esperança seria que se constituísse numa produção cômica que, mesmo atravessando os clichês, fosse capaz de injetar-lhes algum frescor, ainda mais por contar com um elenco feminino tão qualificado. Aí está seu desafio e seu grande fracasso.
 
A protagonista é Maria Paula, vivendo Beatriz, uma terapeuta de casais de sucesso, autora de diversos bestsellers, que se encontra, aos 40 anos, numa crise pessoal com o próprio marido, Orlando (Marcelo Faria). As outras mulheres da família que lhe fazem contraponto são sua filha adolescente, Marina (Luana Maia), sua mãe Elda (Nicette Bruno) e uma irmã, Berenice (Georgina Góes), que é ecologista profissional e viajante.
 
Em tese, é uma boa ideia alinhar mulheres de idades e temperamentos diferentes, esticando o fio da história a partir do comportamento extrovertido e bizarro de Elda, da militância verde de Berenice e do furor hormonal de Marina. Mas a engrenagem do filme é toda emperrada e nenhuma situação flui com a leveza esperada.
 
O peso de clichês com tempero machista infiltra-se, por exemplo, na composição da personagem da vizinha Valéria (Flávia Alessandra), que despreza as atenções do companheiro super-atencioso (Thiago Fragoso), literalmente desejando um “homem normal”, desses que trocam a companhia da mulher pelo futebol com amigos – uma declaração literal dela. Inclusive pela falta de nuances, chega a assustar como esta e outras personagens são rasas e impregnadas de um machismo pra lá de antigo.  
 
Por coisas como essa, dá para ver que toda a concepção do filme, uma coprodução Brasil/Argentina, não vai oferecer nenhuma novidade. Há uma parte filmada em Buenos Aires, cidade sobre a qual não se evita nenhum chavão, da procura por um certo cantor de tangos (Iván Espeche), que foi uma grande paixão de Elda, até uma visita à Bombonera, estádio onde Beatriz atrai a fúria geral dos torcedores do Boca Juniors por ir vestida nas cores vermelha e branca, que identificam o arquirrival, o River Plate.
 
Maria Paula, que é uma comediante talentosa, aqui está travada dentro de um papel em que ela parece não saber o que fazer – provavelmente por uma falta de sensibilidade da direção, talvez não muito afeita à difícil arte da comédia. Outras atrizes talentosas, como Nicette Bruno e Georgiana Góes, também estão fora de tom. Assim, Doidas e Santas é comprometido por um desgastado sabor de dejá vu. Nem mesmo os dois empregados vistos no filme escapam da maldição dos chavões, retratados como fofoqueiros e burrinhos, como nos piores humorísticos da televisão. 

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança