Bingo - O rei das manhãs

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 11 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Augusto é um ator sem sucesso que encontra sua grande chance como palhaço num programa infantil. Mas sua vida de excessos não combina com a nova profissão.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/08/2017

Os anos de 1980 são conhecidos como a era dos excessos, da ascensão da cultura yuppie, fortalecimento do neoliberalismo, de uma estética artificial, repleta de neon, e outros brilhos. Bingo – O Rei das Manhãs está situado na encruzilhada desses anos, tentando, por meio de um palhaço de um programa de televisão, captar uma época cuja beleza (de certa forma brega) ecoa até hoje.
 
Bingo, antes de ganhar esse nome artístico, chama-se Augusto Mendes (Vladimir Brichta), ator de pornochanchadas, que sonha com o sucesso na televisão. Vive com sua mãe, Marta (Ana Lúcia Torres), uma ex-diva da televisão que agora é jurada de programa de calouros. Ele cuida do filho pequeno, Gabriel (Cauã Martins), e vê sua ex-mulher (Tainá Müller), brilhar como estrela de novela da TV Mundial.
 
Com uma certa dose de picardia, Augusto entra num concurso para a contratação do apresentador de um novo programa infantil de televisão, que será lançado por um canal que amarga uma audiência baixa. A fórmula vem importada dos EUA, onde o personagem, um palhaço, é sucesso absoluto, a ponto de um americano (Søren Hellerup) acompanhar pessoalmente o processo de seleção no Brasil, apesar de não saber uma palavra de português.
 
Enfim, Augusto consegue o papel – usando muito da sua sagacidade e um pouco do “jeitinho” brasileiro –, e passa a viver uma relação de amor e ódio com a produtora do programa, Lúcia (Leandra Leal), que é esforçada e quer alavancar sua carreira. Há, no entanto, um paradoxo: à medida que Bingo é a cada dia mais amado pelas crianças, Augusto se distancia do seu filho. O menino é um dos poucos a saber que o pai interpreta o palhaço – existe uma cláusula contratual que impede o ator de revelar para o mundo esse segredo. Sob os holofotes da fama e alienado do filho, Augusto/Bingo se deixa levar por uma espiral de autodestruição com drogas e sexo, muitas vezes na companhia do câmera Vasconcelos (Augusto Madeira).
 
Escrito por Luiz Bolognesi (As melhores coisas do mundo), Bingo – O Rei das Manhãs é um prodígio em captar com uma certa dose de nostalgia uma década de loucuras, que nunca consegue ser totalmente superada – sempre ressurge alguma ombreira ou algum New Wave Glitter Gel para nos lembrar de que esses anos existiram. Dessa forma, o filme é A Fogueira das Vaidades brasileiro, em seu retrato cínico, colocando ao centro a sociedade do espetáculo pelo filtro pessoal de seu personagem.
 
É também um estudo sobre a ascensão do “Eu”, do individualismo profissional que obriga o sujeito a sufocar outras áreas de sua vida – eis aí o apagamento de Augusto para o sucesso de Bingo. Ele deixa de ser uma pessoa para se transformar no operário da televisão. Tudo passa a girar em torno da esfera do trabalho, até seu interesse amoroso se torna a colega Lúcia – e o fato de ela ser evangélica é um empecilho.
 
O premiado montador Daniel Rezende (Cidade de Deus, Tropa de Elite) estreia na direção com segurança. Mas talvez deixando-se contagiar pelo clima de excessos do personagem e da época retratada, acaba se empolgando por um certo exibicionismo técnico que, às vezes, parece chamar a atenção apenas para si – como um plano-sequência no qual uma câmera sai da janela de um apartamento, dá um giro no ar e entra em outra janela em outro prédio. Não que o resultado seja feio ou tosco – bem pelo contrário –, mas vai ter muita gente falando apenas disso e esquecendo os outros cento e tantos minutos do filme.

Alysson Oliveira


Trailer


Comente
Comentários:
  • 03/09/2017 - 13h25 - Por jeferson Não ficou claro o motivo da nota, nem consegui visualizar no texto questões técnicas do filme
Deixe seu comentário:

Imagem de segurança