Últimos dias em Havana

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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Diego e Miguel viveram muitas coisas juntos em Cuba, mas neste momento estão num impasse. Diego é doente terminal de AIDS e Miguel, que sobrevive lavando pratos, sonha com um visto para os EUA.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/08/2017

Vencedor do prêmio de melhor direção no 27º. Cine Ceará para o veterano Fernando Pérez (de Suite Habana e La vida es silbar), o drama Últimos Dias de Havana tematiza o impasse vivido por uma Cuba em vias de transformação social e política, captado numa chave intimista – através da história dos parceiros Miguel (Patricio Wood) e Diego (Jorge Martínez).
 
Diego, doente de AIDS, é cuidado por Miguel, que trabalha como lavador de pratos num restaurante. O sonho de Miguel é emigrar para os EUA e ele vive à espera de um visto que nunca chega. Ele é introspectivo, num contraste total com Diego que, apesar de não sair da cama, injeta sua energia e imaginação numa verbalidade quase incessante. Ambos vivem confinados pelo limite da morte iminente de Diego e do mutismo de Miguel (uma interpretação introjetada e de alta qualidade do ator Patricio Wood, transmitindo seus sentimentos quase que apenas pelo olhar).
 
Em torno desse núcleo, somam-se diversos personagens coadjuvantes, como os parentes de Diego – ávidos por herdar seu apartamento (o que é também uma razão para que Diego estimule a partida de Miguel) -, um garoto de programa, as vizinhas de diversas idades, como a velha Fefa (Carmen Solar), e a prima adolescente Yusisleydis (Gabriela Ramos), que faz o contraponto de gerações com Diego. A câmera sempre capta imagens de uma Cuba desvalida, com imóveis desgastados e precariedade de abastecimento de água e luz, com habitantes lutando para levar adiante um cotidiano altamente problemático.
 
Uma cena emblemática coloca em foco a convivência do passado e do presente em Cuba, quando Miguel toma um táxi compartilhado, num dia de chuva, dirigido por um motorista que guarda no corpo sinais da participação cubana na guerra em Angola. Entre os passageiros, cria-se também um contraste de gerações, a partir de uma sutil discussão em torno de música, que põe em foco a questão da educação.
 
Nem por todo seu drama o filme deixa de ser impregnado de humor, marcado nas falas de Diego, que sinalizam um tom infiltrado de melancolia e amargura mas que nunca perde de vista um resistente amor por essa Cuba maltratada, contraditória, mas cheia de uma humanidade efervescente, que evoca a solidariedade do espectador, especialmente dos brasileiros, tão parecidos com os cubanos em tantas coisas. Basta olhar para os rostos que a câmera, documentalmente, capta pelas ruas dessa Havana tão visceral.
 
Partindo de uma história sugerida por um estreante, Abel Rodríguez, Pérez foi criando os meandros de um habilidoso melodrama que, aqui e ali, encontra em alguns excessos a afirmação da própria verdade. A princípio, o diretor pensou em fazer uma espécie de sequência de Morango e Chocolate, tendo mesmo testado para os papeis principais Jorge Perugorría e Vladimir Cruz, intérpretes do premiado filme de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 1995. Mas afastou-se deste caminho para dar espaço a uma história que flui procurando construir pontes entre diversas gerações e visões sobre uma Cuba que pulsa na alma daqueles que a conhecem por dentro. 

Neusa Barbosa


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