João, O Maestro

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Desde pequeno, João Carlos Martins se dedica ao estudo do piano, tornando-se, já na juventude, um dos maiores intérpretes de Bach de sua geração, até que um acidente jogando futebol coloca sua carreira em risco.


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Crítica Cineweb

09/08/2017

É possível que o pianista e maestro João Carlos Martins tenha ouvido diversas vezes a famosa frase: “Sua vida daria um filme”. Na verdade, sua vida rendeu um documentário feito na Alemanha (A Paixão Segundo Martins, de 2004), uma biografia, assinada por Ricardo Carvalho, e até desfile de escola de samba, em 2011, quando a paulistana Vai-Vai venceu o campeonato com enredo “A Música Venceu”. Este novo filme, a versão ficcionalizada com roteiro e direção assinadas por Mauro Lima (Tim Maia, Reis e Ratos), concentra-se apenas na relação do seu protagonista com a música, deixando de lado diversas polêmicas que o envolvem, inclusive na política.
 
Seguindo a cartilha do gênero, começa-se com o pequeno João Carlos (Davi Campolongo) tendo aulas de piano. Incentivado pelo pai (Giulio Lopes) – um imigrante português que sonhava em ser pianista –, ele mostra empenho, disciplina e talento, e a professora o indica para ser tutorado por alguém mais experiente (José Kliass).
 
Acompanhamos a ascensão de João Carlos, que se torna um dos maiores intérpretes de Bach de todos os tempos. Interpretado agora por Rodrigo Pandolfo (Minha mãe é uma peça), o personagem faz concertos em diversos lugares da América Latina. Até que chega aos EUA com sua primeira mulher (Fernanda Nobre), onde conhece um grande sucesso, mas também sofre um acidente enquanto joga futebol – outra grande paixão de sua vida – que o impede de tocar.
 
O roteiro pula um bom tempo da vida de João Carlos, quando ele abandona a música e, entre outras coisas, se torna empresário de boxe. Uma entrevista a um programa de televisão foi a forma que Lima encontrou para resumir os anos em que o biografado ficou longe do piano. É uma forma simplista, como tudo no filme, que sempre fica num retrato um tanto superficial, mas interessado em se ater a fatos – como trivias da wikipedia – ao invés de mergulhar nas contradições, que são o que há de mais revelador num personagem.
 
Agora interpretado por Alexandre Nero, o pianista é um homem de negócios, mas frustrado longe do piano. Com muito esforço e ajuda de sua nova mulher (Alinne Moraes), João Carlos tenta, mesmo com dor e atrofia de alguns dedos, voltar ao piano e aos palcos.
 
Nero é um ator empenhado, mas o personagem – no cinema, ao contrário da vida real – não traz nuances, e tudo se resume ao sofrimento e dores por sua paixão pela música. O filme é previsível não porque a vida do pianista e maestro seja tão conhecida, mas porque se faz óbvio, sendo inevitável que o verdadeiro João Carlos apareça no final. João, O Maestro padece de um mal que atacas as cinebiografias – especialmente as brasileiras – de querer dar conta de uma vida e obra inteiras. Recorte talvez seja a palavra-chave para esse tipo de filme. Falta fazer a opção por um momento, um fato marcante e resumir toda a trajetória do biografado em cima desse acontecimento. Aqui, a sucessão de fatos – é preciso dar conta de sete décadas de vida de Martins! – é rápida, sem tempo para que o arco do protagonista se estabeleça de maneira orgânica. 

Alysson Oliveira


Trailer


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