O castelo de vidro

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Sinopse

Jeannette Walls teve uma infância peculiar, graças aos seus pais, que não queriam se "encaixar no sistema". Isso a fez crescer repleta de questões mal resolvidas. O filme é baseado em seu livro de memórias.


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Crtica Cineweb

07/08/2017

O livro de memórias da jornalista americana Jeannette Walls, O Castelo de Vidro, resulta num filme morno e um tanto esquemático sobre a infância numa família peculiar, com uma mãe que não pode deixar de atender ao chamado de sua musa e pintar seus quadros e um pai alcoólatra e sonhador, que não quer viver preso ao sistema – interpretados por Naomi Watts e Woody Harrelson.
 
Dirigido por Destin Daniel Cretton, o filme é como Capitão Fantástico, mas sem o Fantástico, ao contar uma história parecida, agora sob o ponto de vista da filha. Ainda na infância, Jeannete (nesse momento interpretada por Chandler Head) sofre um acidente doméstico, enquanto faz o almoço, e sua mãe não pode abandonar o quadro que está pintando. O vestido da menina pega fogo e ela ficará com uma cicatriz no torso que servirá como metáfora e lembrança da infância problemática.
 
O título do filme faz menção à casa que o pai, Rex, promete construir para a família – que também inclui outras duas meninas e um garoto –, promessa que nunca cumpre. Sem endereço fixo, eles se mudam toda vez que um cobrador descobre onde moram. Os Walls educam os filhos em casa e acreditam que os estão criando livres-pensadores. A verdade é que tudo tem, pelo menos, dois lados, e os pais não deixam de estar certos em alguns momentos.
 
A história começa no final dos anos de 1980, quando Jeannete (aqui interpretada por Brie Larson) é uma colunista de fofocas em ascensão na cena nova-iorquina. Ela namora um investidor tipicamente yuppie (Max Greenfield), e os figurinos e penteados topetudos parecem saídos direto de uma cena de A Fogueira das Vaidades. Ele a leva a jantares com investidores, porque as mulheres destes a adoram. E a jornalista sempre conta uma história mentirosa sobre os pais, glamourizando suas vidas. De vez em quando, encontra-os na rua, vasculhando latas de lixo à procura de comida.
 
O contraponto disso são a infância e adolescência disfuncionais, cercada por pais que, ao invés de proteger a ela e aos irmãos, são as pessoas que os colocam em risco. O filme tira proveito emocional disso com uma certa manipulação barata que tenta se respaldar nas interpretações – mas, por mais esforçados que Harrelson e Naomi sejam, seus personagens não trazem muitas nuances e parecem não dar a dimensão das figuras reais que tanto fascinam quanto causam repúdio em Jeannete.
 
A interpretação mais impressionante aqui é da jovem atriz Ella Anderson, que faz a protagonista dos 9 aos 13 anos, ou seja, seu momento de formação, quando suas visões de mundo começam a ser sedimentadas. Quando o filme chega à vida adulta, a personagem já está pronta. Ela sonha alto, como manda o pai, e quer ir a uma faculdade de prestígio – mesmo sabendo que é cara –, o que também causa conflitos dentro de casa, seja lá onde for essa casa.
 
Cretton, que assina o roteiro com Andrew Lanham, mantém o ponto de vista de Jeannette, mas parece nunca se apropriar a fundo do material. Apenas se esforça para recriar com figurinos, maquiagem e cenários momentos-chave da trajetória dos Walls. O resultado é um tanto frio, porque as emoções são extremamente calculadas nos efeitos que irão causar no público. Além disso, a duração estende-se (o filme poderia ter uma meia-hora a menos) na repetição das esquisitices que moldaram a protagonista, forçando alguns momentos do passado para explicar a Jeannette do presente, sem nunca conseguir dar conta da complexidade de sua figura.

Alysson Oliveira


Trailer


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