Lady Macbeth

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Katherine é concedida a um casamento com um homem mais velho, que acaba negligenciando-a. Quando ele sai numa viagem, ela se aproxima de um novo empregado da casa e uma espiral de desejo e sangue se desenha.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

26/07/2017

Lady Macbeth está entediada. Solitária, negligenciada pelo marido, ela olha pela janela e parece esperar que algo aconteça para tirá-la desse torpor. Custa um tanto, mas algo acontece. Pela breve descrição, percebe-se que essa personagem não tem (até então) nada a ver com aquela criada por Shakespeare – recentemente interpretada por Marion Cottillard no cinema. Essa não é a Lady shakespeariana, mas outra criada pelo russo  Nikolai Leskov, autor da novela Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk.
 
O diretor William Oldroyd, trabalhando com um roteiro assinado por Alice Birch, desloca a trama da Rússia para o interior da Inglaterra, mantendo o período, meados do século XVIII. Na primeira vez que vemos a jovem Katherine (Florence Pugh) ela está coberta com um véu branco de noiva, que transmite sua pureza de alma e corpo que logo serão corrompidas. Ela é como uma mercadoria, adquirida pelo sogro (Christopher Fairbank) dono de minas de carvão, para o filho de meia-idade, Alexander (Paul Hilton). O casamento jamais é consumado, e a moça, praticamente uma adolescente, segue perplexa e entediada.
 
Confinada a um casarão, que é seu castelo, a protagonista não tem muito o que fazer. Os serviços são feitos por criados, e ela é atendida a todo momento por uma delas, Anna (Naomi Ackie), que ora parece sua cúmplice, ora sua inimiga. Se até então ela está mais para uma Madame Bovary entediada ao extremo, um viagem de Alexander deslancha a trama, quando finalmente Katherine parece começar a fazer justiça ao título do filme.
 
Uma espiral de amor e sangue começa a se formar quando ela conhece um novo empregado da propriedade, Sebastian (o músico Cosmo Jarvis). Essas relações extraconjugais raramente acabam bem na literatura e no cinema, mas aqui, ao contrário de muitas das obras, Katherine não é fria e manipulável. Ela toma as rédeas de sua vida e se mostra mais esperta do que sua inocência parecia mostrar.
 
O amante – e o amor! – é exatamente a fração que faltava em sua vida. Katherine não vê em Sebastian apenas uma maneira de matar o tempo, ele é a pessoa que a completa e fará de tudo para não o perder. Ajuda o fato de ele ser um tanto manipulável e até ingênuo. Aos poucos, a dinâmica de opressão de gênero se inverte. Como se não bastasse, a dupla Oldroyd e Alice introduz uma nova mudança no original. Anna, a empregada dúbia, é interpretada por uma atriz negra – assim como Sebastian. Há, é claro, um comentário sobre o imperialismo inglês, mas também sobre a opressão de classe. Sem criar hierarquias de opressão, mas investigando uma dinâmica de poder, o filme diz: o oprimido de uma relação pode ser o opressor de outra. Na última metade da história, entra em cena outro personagem negro e importante que irá chacoalhar a calmaria da vida de Katherine.
 
Lady Macbeth que, antes desse filme, já foi uma ópera, assinada por Dmitri Shostakovich, e um longa, em 1962, dirigido por Andrzej Wajda, é um estudo de personagem que depende muito da atriz que a interpreta, e a escolha de Florence Pugh, praticamente uma estreante, não poderia ter sido mais feliz. A jovem é capaz de dar vida e convencer em todas as nuances de uma figura tão complexa – capaz de gerar tanto simpatia quanto repulsa. E ela remete à personagem da “peça escocesa” com uma simples fala: “Está feito”.
 
Como a adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, de Andrea Arnold, Lady Macbeth é um dos poucos filmes ingleses a discutir relação de classe e raça na Inglaterra vitoriana. É uma opção do diretor e da roteirista, que traz uma relevância ainda maior e atualidade para a obra. Mais do que isso, a subversão do final em relação ao original é um comentário tanto sobre o passado quanto sobre o presente.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 30/08/2017 - 17h34 - Por Márcia j s Zanotti Ótimo filme
    Fotografia magistral e trama bem armada
    Muito boa a sinopse e crítica do alysson
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