O reencontro

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Claire é uma veterana parteira que está perto de ficar sem seu emprego. Um dia, volta à sua vida Béatrice, uma antiga amante de seu pai, que o abandonou e traumatizou seriamente. Claire resiste, mas Béatrice é sedutora o bastante para impor-se em sua vida, ainda mais porque está seriamente doente. E uma possibilidade de amizade acontece.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

18/07/2017

Também ator, o cineasta e roteirista francês Martin Provost está se comprovando um bom criador de personagens femininas. Ele o fez em Violette, que retratava uma personagem real, amiga da também escritora Simone de Beauvoir, Violette Leduc (Emmanuelle Devos), e repete a dose em O reencontro, uma comédia dramática em que duas Catherines, as excelentes La Deneuve e La Frot, se confrontam em papeis ricos em nuances.
 
Claire (Catherine Frot) é uma veterana parteira, reservada, discreta, que está contando os dias para o fim de seu emprego. O hospital tradicional em que trabalha está prestes a tornar-se uma clínica de luxo, o que ela rejeita, descrevendo-o uma “fábrica de bebês”. Depois de muitos anos sumida da vida de Claire, eis que ressurge Béatrice (Catherine Deneuve), ex-amante de seu pai, retornando em busca dele, ignorando que está morto.
 
A volta da velha dama ressuscita os ressentimentos mal-resolvidos da habitualmente calma Claire, que acredita ser Béatrice a culpada pela morte do pai, por seu abandono. O reencontro – um feliz título brasileiro (não iria mesmo funcionar o original, Sage-femme, ou seja, “parteira”) - teria tudo para ser breve. Mas não. Béatrice está gravemente doente e não tem ninguém mais no mundo. Essa desproteção acende uma centelha de solidariedade humana em Claire.
 
O encontro de duas mulheres assim opostas é inusitado, contraditório e valorizado pela mágica da ficção, que consegue alimentá-lo e dar-lhe consistência. Mesmo diante do risco de morte, Béatrice é a soma de tudo o que viveu intensamente, todos os prazeres, todos os excessos, sintonizando uma paixão pelo presente e pelo risco como se não houvesse amanhã. O extremo oposto da prudente Claire, cuja escassa vida amorosa permitiu-lhe ter um filho, Simon (Quentin Dolmaire), estudante de medicina que já está partindo para sua independência.
 
Foi uma sábia decisão do roteiro colocar ao lado destas mulheres tão interessantes dois personagens masculinos que, ainda que coadjuvantes, permitem a elas expressarem alguns outros sentimentos. É o caso não só de Simon como de Paul (Olivier Gourmet), um simpático caminhoneiro, vizinho de Claire num sítio que ela herdou nos arredores da cidade e com quem ela mantém um novo romance.
 
Entregue a estas duas grandes atrizes e a um elenco de apoio não menos inspirador, o filme consolida seu relato humanista sem desviar-se nem do humor nem do drama, ainda que evitando exageros. Se hollyoodiano fosse, muito provavelmente embarcaria num mar de lágrimas e confrontações histéricas. Felizmente nada disso acontece aqui e o resultado é bastante prazeroso.

Neusa Barbosa


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