O filme da minha vida

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Voltando à sua cidade natal depois de formar-se professor, Tony Terranova tem a decepção de ver o pai partir, sem explicações, para sua França natal. Ele e sua mãe vivem dias tristes por causa disso. Mas ele mesmo está no limiar da vida adulta e vive suas primeiras paixões.


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Crítica Cineweb

18/07/2017

Autor do livro que inspirou O Carteiro e o Poeta, o chileno Antonio Skármeta assina também o romance por trás de O Filme da minha Vida, terceiro longa de Selton Mello. Apesar dessa origem literária, pode-se ver um parentesco da obra com seu filme anterior, o premiado O Palhaço (2011).
 
Tanto em O Palhaço quanto neste novo filme, trata-se de um processo de amadurecimento de um jovem, neste caso, Tony Terranova (Johnny Massaro). Ele é o professor primário de uma pequena cidade no interior gaúcho, em 1963, dividido entre as angústias do amor e do sexo, que ele está começando a conhecer, e a ausência do pai, Nicolas (Vincent Cassel). Francês, este pai partiu para seu país no mesmo dia em que Tony retornava, formado, da capital – os dois se cruzaram na estação ferroviária, numa despedida breve e traumática, pela total ausência de explicações e de notícias depois desse dia.
 
A tristeza percorre não só Tony, mas também sua mãe, Sofia (Ondina Clais Castilho), que parece uma viúva. De melancolia em melancolia, a vida continua a custo. Tony procura uma figura paterna alternativa em Paco (Selton Mello), um rústico criador de porcos que era amigo do pai. Se dele não extrai uma única informação sobre a partida de Nicolas, pelo menos é com Paco que conta para sua primeira visita ao bordel da cidade mais próxima.
 
Nesta dualidade que é a vida sexual iniciada com prostitutas e o flerte comportado com as irmãs Luna (Bruna Linzmeyer) e Petra (Bia Arantes), meninas da família Madeira, está um dos aspectos em que o filme respira sua nostalgia, sua marca de um tempo passado, numa cidade em que o meio de comunicação mais popular ainda é o rádio. Mesmo o cinema fica em outra cidade. E, por tudo isso, o tempo parece correr mais lentamente.
 
O veterano diretor de fotografia Walter Carvalho materializa visualmente esse passado ao banhar muitas dessas imagens de uma luz dourada ou sépia, como as velhas fotografias de uma juventude sempre revisitada em filmes como este, que manifestam uma inequívoca proximidade com os dramas familiares do período de ouro do cinema italiano, nas obras de Ettore Scola e Dino Risi, ou mesmo com o cinema francês de um François Truffaut da época de seu alter ego, Antoine Doinel.
 
Há, em toda a linguagem do filme, a procura de uma simplicidade que envolva o espectador – qualquer espectador – e a sintonia com uma experiência universal, nesse processo que envolve todas as vidas quando desabrocham e chegam àquele perigoso ponto em que amadurecer não é só preciso, como inevitável. Embora, evidentemente, o ponto de vista aqui seja eminentemente masculino, com personagens femininas filtradas por sua imaginação.
 
No elenco, há que se destacar uma ponta do escritor Skármeta, como o dono do bordel Eseban Copetta; do veterano cantor Rolando Boldrin, voltando ao cinema depois de duas décadas, na pele de um carismático maquinista; e do estreante João Prates, intérprete do garoto Augusto Madeira, irmão das musas do filme e protagonizando sequências no limite do patético em sua ansiedade com sua iniciação sexual.

Neusa Barbosa


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