Cada vez mais longe

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Em Baía de Sepetiba (RJ), o pescador João enfrenta dificuldades com a redução do peixe que precisa para sobreviver, junto com sua mulher, Isaura. A degradação ambiental está assoreando a praia e ele precisa navegar cada vez mais mar adentro para conseguir pescar.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/07/2017

Diretor de arte de filmes como Pequenas Histórias e A Família Dionti, Oswaldo Eduardo Lioi estreia na direção de longas, em parceria com Eveline Costa, com Cada vez mais longe, um filme contemplativo e de intensa beleza visual. A história é minimalista, porém, metafórica. A partir do núcleo formado pelo pescador João (Fernando Alves Pinto) e sua mulher, Isaura (Branca Messina), desenvolve-se uma trama que evoca a repetição de uma rotina básica, que inclui espera e frustrações e que finalmente discute a passagem do tempo e a degradação ambiental – no caso, da Baía de Sepetiba, filmada lindamente aqui.
 
Enquanto João se vê forçado a pescar seus peixes cada vez mais em alto-mar, por conta do assoreamento do litoral onde vivem, Isaura o espera entretendo-se na confecção de uma peça de crochê – que, sintomaticamente, ela faz e desfaz, como uma Penélope iludindo a rotina à espera de Ulisses. A fotografia de Luís Abramo valoriza cada detalhe e a luz natural, usada em todo o filme, instaurando um realismo carregado da poesia do cotidiano, em que se infiltram os dramas de qualquer vida – o descompasso das expectativas do casal, a esperança, o sonho de outro destino em outro lugar, o apego pelas pequenas coisas do lar em que se está.  
 
Os objetos encontrados por João, que ele presenteia a Isaura – um anel, uma taça – e também o que ela acha – uma garrafa de vidro – ganham significado ao longo de uma narrativa com poucos diálogos, em que a natureza, o mar, as aves marítimas, a vegetação do mangue, os caranguejos, inserem-se como personagens organicamente.
 
A entrada em cena de uma mulher mais velha (Neila Tavares) marca, sutilmente, sem alarde, a mudança do tempo e a degradação crescente do ambiente, que é explicada nos letreiros ao final do filme, dando conta das intervenções de uma mineradora, que prejudicou a atividade pesqueira na região. Ao personalizar esse drama na história de João e Isaura, o filme torna a ecologia mais pessoal e mais próxima de cada um.

Neusa Barbosa


Trailer


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