Poesia sem fim

Poesia sem fim

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Locais de filmagem


Sinopse

Em conflito com o pai, que não aceita que seja poeta, Alejandro sai de sua casa e abriga-se na casa de artistas na Santiago dos anos 1940. Ali convive com dançarinos, músicos e poetas como Stella - uma mulher excêntrica que conduzirá sua educação amorosa e sentimental.


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Crítica Cineweb

05/07/2017

Diretor de formação nada ortodoxa – foi palhaço de circo, mímico e autor de graphic novels -, o chileno Alejandro Jodorowsky, 88 anos, entrega o segundo capítulo de sua trilogia de memórias no poético e perversamente divertido Poesia sem fim, atração da Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2016.
 
Toda essa experiência variada do cineasta aparece no filme, que elabora mais um degrau de uma obra de forte cunho surrealista, em que se anotam títulos como El Topo (1970), O Ladrão de Arco-Íris (1990) e A Dança da Realidade (2013), primeiro filme da trilogia autobiográfica. Assim, a narrativa de Poesia sem Fim impregna de um clima de fantasia e lirismo acontecimentos reais da vida de Alejandro – interpretado na adolescência por Jeremias Herskovits e na vida adulta por Adan Jodorowsky, filho caçula do diretor.
 
A história começa com o confronto entre o Alejandro adolescente e seu rígido pai comerciante, Jaime (Brontis Jodorowsky, outro filho do diretor), obcecado em que o filho se torne médico, nunca poeta – para ele, profissão de homossexuais, o que ele abomina. O conflito leva finalmente a que o rapaz deixe sua casa, para desespero da mãe, Sara (Pamela Flores), que só fala cantando ópera, simbolizando sua afinidade com as artes e uma veia melodramática.
 
A saída da casa dos pais leva Alejandro ao encontro de vivências mais amplas, já que ele mergulha na vida boêmia de Santiago e conhece dançarinos, músicos e poetas, tais como Enrique Lihn (Leandro Taub) e Nicanor Parra (Felipe Rios). Mais do que tudo, o jovem é influenciado pelo tempestuoso caso com outra poeta, Stella Díaz (Pamela Flores, de novo), cujas excentricidades não se esgotam no cabelo vermelho e nas sobrancelhas espetadas.
 
A sexualidade permeia toda essa trajetória do jovem poeta, que mais adiante se envolve também com Pequenita (Julia Avenado), musa do amigo Lihn, criando um drama entre eles. Pelo tom da história, no entanto, tanto os eventos trágicos como cômicos integram-se maciamente numa vivência multifacetada, colorida, cheia de afeto entre os personagens, evidenciando um retrato da formação do artista.
 
O próprio Jodorowsky octagenário aparece em cena, mais de uma vez – como fizera em A Dança da Realidade – conversando com sua versão mais jovem, dando-lhe conselhos. O que reforça no filme sua qualidade meio mágica, meio melancólica, dentro de um visual por vezes anárquico e multicolorido, mas que nunca se afasta de uma veia que permite reconhecer a profunda humanidade de tudo o que está sendo narrado. O humor também é fundamental para que nunca pareçam chocantes algumas cenas eventualmente escatológicas ou de ousadia sexual.

Neusa Barbosa


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