Introdução à música do sangue

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Uriel e Ernestina vivem numa pequena casa sem eletricidade ou conforto no interior de Minas Gerais. Junto com eles, também vive uma jovem, Isabel. A chegada de um peão, que trabalhará na fazenda vizinha, desestabiliza a paz familiar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/06/2017

Em Introdução à Música do Sangue, o diretor e roteirista Luiz Carlos Lacerda (Leila Diniz, For All: O Trampolim da Vitória) deixa de lado o tom mais cínico e cômico que caracteriza seus filmes para mergulhar no universo denso e introspectivo da obra do escritor mineiro Lúcio Cardoso. O resultado, que conta com uma bela fotografia (assinada por Alisson Prodlik), é um tanto irregular.
 
Adaptar a obra de Cardoso – sobre quem Lacerda fez um curta documental, em 1968 – não é tarefa simples. Sua prosa psicológica é pesada e claustrofóbica, a ação, por assim dizer, é quase toda de cunho interior. Poucos se aventuraram na empreitada e, de longe, Paulo César Saraceni (a quem este filme é dedicado) foi o mais bem- sucedido, com A casa assassinada, de 1971, baseado em Crônica da Casa Assassinada. Em Introdução à Música do Sangue, o diretor e roteirista parte de um texto inacabado do escritor.
 
Logo de cara, durante os quase 8 minutos de créditos iniciais, o filme impõe seu ritmo que, se não lento de todo, é cadenciado e convida à introspecção da narrativa, situada em algum lugar do interior de Minas Gerais. Numa pequena casa, moram Uriel (Ney Latorraca), sua mulher, a costureira Ernestina (Bete Mendes), e a garota Isabel (Greta Antoine). Não há luz elétrica, é um ambiente arcaico.
 
Há uma atmosfera de repressão de desejos no ar, que serão libertados com a chegada de um peão, Chico (Armando Babaioff). Isabel logo se interessa pelo rapaz, mas pouco sabemos sobre ela. Seu comportamento, às vezes, é estranho, sensual; em outros momentos, ela parece infantilizada.
 
A fotografia do filme, que aproveita bastante a luz natural, salienta a ausência de eletricidade na região – isso, aliás, gera constantes reclamações de Ernestina por conta do trabalho numa máquina de costura pesada. “Se tivesse eletricidade, eu poderia ganhar mais para ajudar em casa” é algo que ela sempre diz. Uriel, por sua vez, que cuida da horta ouvindo rádio a pilha, é completamente contra essa modernidade toda. Um conflito esboçado, portanto, mas que nunca é aprofundado, resumindo-se apenas a essa ladainha o tempo todo.
 
Lacerda constrói de forma satisfatória a claustrofobia da repressão e das relações fraturadas entre o trio de personagens dentro da mesma casa. Mas a chegada do estranho no ninho, Chico, faz com que o filme perca seu eixo. Quando a ciranda de interesses – mais carnais do que espirituais ou românticos – de um personagem por outro se desenha, a narrativa se desorienta e a trama não sabe muito bem para onde ir, até seu clímax óbvio, mal preparado e mal encenado – Latorraca está num tom e Greta em outro completamente diferente; ele parece estar fazendo comédia e ela, drama. Ainda assim, apesar dos altos e baixos, é sempre uma satisfação ver a grande Bete Mendes na tela. 

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança