De canção em canção

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Faye é uma jovem compositora que se envolveu com Cook, um poderoso produtor musical. Mas ela se apaixona por BV, um músico promissor que Cook também representa. O triângulo amoroso se complica quando Cook conhece Rhonda, uma garçonete, e BV se liga a Amanda.


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Crítica Cineweb

21/06/2017

Até bem pouco tempo atrás, cada novo filme de Terrence Malick era um acontecimento – entre outras coisas, porque o recluso cineasta norte-americano chegou a demorar 20 anos entre um trabalho e outro, como aconteceu entre os celebrados Cinzas do Paraíso (78) e Além da Linha Vermelha (98), este último vencedor do Urso de Ouro em Berlim. A partir daí, no entanto, Malick começou a ser menos bissexto. O intervalo entre os filmes encolheu cada vez mais e, ultimamente, a criatividade também parece estar em baixa.
 
Tome-se como exemplo seu mais recente, De canção em canção, em que, tal como em Amor Pleno (2012), ele se debruça sobre conflitos dentro da esfera do casal (neste novo filme, mais de um casal) e explora os meandros de problemáticas contemporâneas, no caso, o vazio de vidas em torno do showbiz. A câmera do filme, mais uma vez a cargo do premiado mexicano Emmanuel Lubezki, parceiro habitual de Malick, continua elegante, compassada, explorando os corpos de atores como Rooney Mara, Michael Fassbender, Ryan Gosling, Natalie Portman e Cate Blanchett – com direito a pontas de roqueiros como Patti Smith e Iggy Pop. Mais uma vez, a narração em off dá conta dos sentimentos dos personagens, mais do que os diálogos, uma das assinaturas do diretor. Mas, ao final de tudo, a sensação de que o vazio que era o tema da história contaminou irresistivelmente a forma de contá-la é difícil de evitar.
 
Centrado na cena musical de Austin (Texas), o filme se embala nas vidas de Faye (Rooney Mara), uma jovem compositora que se envolve com dois homens, o poderoso produtor Cook (Fassbender) e o jovem músico BV (Gosling). Ela oscila entre um e outro, ao sabor de desejos de liberdade, realização profissional, paixão, sem saber muito bem para onde ir. Entram no jogo a garçonete Rhonda (Natalie Portman), que se casa com Cook, e Amanda (Cate Blanchett), que se liga a BV. Mas é tudo muito fluido, numa época sem sonhos ou utopias ou transcendência, substituídas por muitas drogas e procuras de emoções sempre renováveis em torno do que quer que seja.
 
Em forma e conteúdo, Malick parece estar se repetindo aqui – e também lidando com fenômenos contemporâneos que ele explora meio que tateando, sem conseguir, na verdade, encontrar uma forma de simbolizá-los, discuti-los ou explicá-los de alguma forma. Parece um filme de transição, tomara que rumo a uma fase mais produtiva, em que Malick possa voltar a nos surpreender, sacudir e maravilhar, como em Além da Linha Vermelha e A Árvore da Vida.

Neusa Barbosa


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